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Visitando a velha Estrada de Brusque

Hoje, 01 de agosto de 2026, na companhia do empresário Adroaldo Wippel, promovi uma breve excursão exploratória na zona rural de Itajaí. Buscava definir com maior precisão as divisas entre as diversas localidades da Estrada de Brusque, como são os casos do Quilômetro Doze, Itaipava e Arraial dos Cunhas, para completar o livro que estou finalizando ‘Nossas Localidades”. A ideia é oferecer ao leitor o máximo de informação possível sobre cada ‘cantinho’ de Itajaí, suas comunidades, suas histórias. Um pouco desse trabalho eu venho publicando mensalmente na Revista Sopa de Siri. Na itajaipedia – Enciclopédia Digital Itajaiense -, e, também, no ‘Blog do Magru’ no site do jornal Diário do Litoral.

Durante o tour consegui localizar o ponto exato do Rio Itajaí-Mirim que deu nome à localidade de Itaipava (palavra de origem tupi que significa ‘água que corre sobre pedra’). Ali, conversei com o morador Natalício Vieira. Ele e Adroaldo Wippel me falaram dos tempos antigos, quando ainda banhavam nas águas do Mirim e até tomavam a sua água.  Agora, com o leito do rio completamente assoreado, não dá de visualizar as pedras que originaram o nome de Itaipava, mas dá de notar claramente a existência de uma grande pedra no local, como querendo formar uma corredeira. Isso vai aparecer novamente quando a Prefeitura fizer o trabalho de desassoreamento do rio, promessa que a comunidade espera ver cumprida antes do final do ano.

Também tive a oportunidade de conhecer algumas casas antigas da Estrada de Brusque, como são os casos das casas de João Vieira, João Cunha e Protásio Wippel. Também foi possível identificar algumas casas que pertenceram à Estrada de Ferro para uso de seus funcionários na Itaipava. Refizemos alguns dos caminhos do ‘trilho do trem’ e vimos crianças pescando ‘piavas’ nos ribeirões da região.

A região está passando por transformações muito rápidas, tendo como ponto de referência o traçado da Rodovia Antônio Heil. O complexo logístico do Porto de Itajaí e seus terminais tem levado grandes empresas nacionais a instalarem galpões em toda a área. Por outro lado, diante da oferta de emprego, também surge a necessidade da criação de novos loteamentos populares. Então, a região da Estrada de Brusque está experimentando um desenvolvimento extraordinário, um pouco desordenado, motivado pela construção de galpões e de moradias populares.

Na contramão desse desenvolvimento temos o fechamento de praticamente todas as olarias, uma tradição da região. Segundo Adroaldo Wippel, ele próprio dono de uma olaria, na década de 1990 a região abrigava mais de trinta olarias. Elas foram sendo fechadas aos poucos, dando lugar aos galpões da logística portuária. Segundo constata o empresário, a fabricação de tijolos e telhas ficaram inviáveis por diversos fatores, sendo o mais importante o custo operacional de transportar matéria-prima de muito longe, especialmente da região de Gaspar. Acontece que as jazidas de argila existentes próximas às olarias foram esgotadas e o restante do ‘barro’ da morraria não serve para o uso das olarias. Sendo assim, a manutenção de equipamentos, custos operacionais e o preço do combustível, elevaram os custos operacionais fazendo com que as olarias itajaienses perdessem competitividade com olarias do Vale do Tijucas. Adroaldo estima que, em 2026, apenas quatro olarias estão operando plenamente na região.