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O fim de uma era

Estou participando de uma mostra coletiva nas galerias da Casa da Cultura Dide Brandão com uma fotografia intitulada ‘O fim de uma era’ protagonizada pelo cachorro ‘Negão’ frequentador assíduo do grupo de quinta-ferinos da Banca Eureka, que fica ali na rua Olímpio Miranda Júnior, próximo ao Colégio Salesiano de Itajaí. Na foto o ‘Negão’ aparece sozinho, em ambiente noturno, olhando para as revistas expostas no lado de fora da Banca Eureka. Um cachorro, sozinho, lendo revistas, é o emblema do final de uma era que tem na própria Banca Eureka sua testemunha final. Ela é a única banca de comércio de rua de Itajaí. Ninguém mais em Itajaí consegue manter seu comércio vendendo jornais e revistas, coisa muito comum há duas décadas.

O mundo digital devorou vorazmente o mundo impresso, deixando para trás uma era de muitos títulos e tiragens aos milhares. O Patrick Zaghini, proprietário da banca, tem saudades do tempo que vendia centenas de exemplares da Revista Veja e outra quantidade igual de clássicos do jornalismo nacional, como Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado. Sem falar na grande venda dos jornais locais, incluindo nosso polêmico Diarinho de todos os dias. Agora, tudo está posto nas plataformas digitais, com o custo da impressão e da logística para colocar o impresso na banca tornando esse serviço inviável economicamente.

Os jornais passaram do papel para o celular. Ponto final. A revolução foi rápida. Itajaí conta atualmente com população próxima de trezentas mil pessoas e tem apenas dois jornais impressos: Jornal dos Bairros (da Editora Bitencourt) e o Diarinho (Diário do Litoral). No setor de revista conta apenas com a Sopa de Siri (da Editora Beling e Castro Ltda). Revista que voltou ao formato impresso apenas em janeiro deste ano (2026) se recuperando vagarosamente da tempestade ocasionada no setor editorial pela a pandemia da Covid de 2019. Esses três títulos editoriais demonstram resiliência total, porque a tendência é deixar de imprimir e colocar tudo nas palmas das mãos dos leitores em formado digital.

Então, a minha fotografia incluída na mostra coletiva ‘Aqui, onde estamos’ tenta demonstrar justamente esta mudança extraordinária que vem ocorrendo em nossa sociedade. O fim de uma era. O fim da era do impresso e o emergir das plataformas digitais.