Dia desse li na imprensa matéria que se referia ao navio Pallas, naufragado na barra do Rio Itajaí no ano de 1893, durante a Revolução Federalista, como sendo o ‘Titanic de Itajaí’ ou o ‘Titanic de Santa Catarina’. Parece que a Internet é um poço sem fundo quando se trata da irresponsabilidade de quem elabora conteúdo para as redes sociais. Agora, contudo, o problema se torna mais grave, porque as plataformas de IA – Inteligência Artificial – estão utilizando essas postagens que distorcem fatos justificando-as em uma linguagem mais acadêmica. Replicam os erros acriticamente.
Quando perguntamos à Inteligência Artificial do Google sobre quem inventou a expressão ‘Titanic de Itajaí’ ele simplesmente responde que ‘… surgiu como uma expressão popular e midiática da própria região’. Mas, convenhamos, uma ‘expressão popular’ teria de ser algo utilizado por muitas pessoas, por muito tempo, de tal forma que se transformasse em um bem cultural da comunidade. O que, efetivamente, não é o caso.
Quando perguntamos à Inteligência Artificial do Google sobre ‘os motivos que levaram a comunidade e a imprensa local a colocarem o apelido de Titanic ao Pallas’ ele deu como principal motivo de comparação o fato dos dois navios terem se partido ao meio. Diz mais: ‘Associar o naufrágio local ao navio mais famoso do mundo funciona como uma metáfora perfeita para atrair a atenção do público e das autoridades sobre a magnitude e a importância história dos destroços.”
Seria mesmo uma ‘metáfora perfeita’? Os destroços do Pallas têm a ‘magnitude e a importância histórica’ do Titanic?
Inventando verdades
Como podemos perceber, a IA – Inteligência Artificial – está potencializando um dos grandes defeitos das redes sociais: a irresponsabilidade na elaboração e divulgação de conteúdos. A IA está replicando o erro. Pior, está dando uma redação e um status de dado técnico concreto. Quem lê uma nota elaborada pela IA tem a nítida sensação de que está recebendo conteúdo de ‘alguém’ que efetivamente sabe do que está falando. Logo ali na frente, perderemos por completo a possibilidade de saber o que é verdade e o que é mentira nas mídias sociais. Se é possível transformar o Pallas em um Titanic, então, podemos afirmar que o futuro já chegou a nós. O Pallas é o nosso Titanic e … a vida segue.