Dia desse estava passeando pela avenida Prefeito Paulo Bauer, às margens do Rio Itajaí, quando me deparei com um pescador jogando algumas puçás na água barrenta do rio a partir de um trapiche abandonado. Fui até o local para fotografar a atividade tradicional de nossa gente quando se aproximou um turista vindo de Porto Alegre. Ele falava que estava maravilhado com tudo que via aqui em Itajaí, enquanto meu desconforto de itajaiense ia aumentando ao ver próximo de seus pés um amontoado de lixo, provavelmente deixado no local por barcos pesqueiros que ali atracaram anteriormente.
Sinceramente não dá de entender como a Prefeitura deixa a situação chegar naquele nível de abandono. Empresas ricas simplesmente tratam os seus trapiches com um descaso impressionante. Por outro lado, é de se perguntar sobre a última vez que Vigilância Sanitária, fiscalização da Secretaria de Obras e demais órgãos da Prefeitura visitaram o local.
Interessante perceber o contraste ali existente. Enquanto no outro lado da avenida a municipalidade cobra tudo e mais um pouco dos proprietários de prédios tombados como Patrimônio Histórico Edificado – são os casos da Companhia Bauer, Casa Malburg, Fiscalização do Porto e Casa Almeida & Voigt – ali, todo o sistema de fiscalização e até mesmo a Secretaria de Turismo simplesmente fazem de contas que não veem. Tudo abandonado, entre lixo e tábuas podres.
De que adianta preservar os casarios históricos, limpar a avenida, colocar protetores laterais de metal …. se a vista dos trapiches e das casinhas neles erguidas parece coisa de desleixo institucionalizado. A Secretaria de Turismo diz o que para um turista que atravessa o ferry boat vindo do Aeroporto de Navegantes?
Quem sabe vai colocar uma placa com os dizeres: ‘Proibido olhar à direita!”