{"id":337,"date":"2022-05-01T23:24:03","date_gmt":"2022-05-02T02:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/magru.com.br\/web\/?p=337"},"modified":"2022-05-01T23:38:55","modified_gmt":"2022-05-02T02:38:55","slug":"novos-documentos-e-a-literatura-historica-sobre-itajai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/magru.com.br\/web\/novos-documentos-e-a-literatura-historica-sobre-itajai\/","title":{"rendered":"NOVOS DOCUMENTOS E A LITERATURA HIST\u00d3RICA SOBRE ITAJA\u00cd"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-338 alignright\" src=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/vitor-kleine-1-ACII-2-218x300.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"365\" \/>\u00c9 muito comum que os leitores de livros que versam sobre a hist\u00f3ria de uma cidade considerem o relato sobre a origem de um determinado lugar como algo \u2018imex\u00edvel\u2019, fixo, pronto e determinado. Mas, para contrariar esses leitores e pesquisadores comodistas, vez e outra, aparecem novos documentos que obrigam aqueles que promovem a narrativa hist\u00f3rica a repensar muitos dos dados at\u00e9 ent\u00e3o considerados inquestion\u00e1veis, assim como a refazer a pr\u00f3pria narrativa hist\u00f3rica para preencher grandes lacunas at\u00e9 ent\u00e3o existentes por falta de uma prova material fidedigna.<\/p>\n<p>Na narrativa hist\u00f3rica de Itaja\u00ed n\u00e3o faltam exemplos de achados que mudaram a trama hist\u00f3rica local. Por exatamente um s\u00e9culo era normal afirmar que \u2018Itaja\u00ed n\u00e3o tem hist\u00f3ria conhecida\u2019. Por volta de 1920 Marcos Konder descobriu documentos no Rio de Janeiro e Florian\u00f3polis que possibilitavam a narrativa de que Ant\u00f4nio de Meneses Vasconcelos de Drummond recebeu a incumb\u00eancia de fundar uma col\u00f4nia na regi\u00e3o da foz do Rio Itaja\u00ed. Com esses documentos em m\u00e3os, Marcos Konder tratou de construir uma narrativa toda pr\u00f3pria sobre a funda\u00e7\u00e3o de Itaja\u00ed, sua \u2018Pequena p\u00e1tria\u2019.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois dessa primeira narrativa j\u00e1 ter se consolidado a ponto de se tornar hegem\u00f4nica e oficial, o historiador Jos\u00e9 Ferreira da Silva conseguiu documentos que provavam que as terras utilizadas por Drummond para fundar a primeira col\u00f4nia na regi\u00e3o estavam localizadas, a bem da verdade, \u00e0s margens do Rio Itaja\u00ed-Mirim, no Tabuleiro, a doze quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da foz do Rio Itaja\u00ed. Foi o suficiente para se ter um embate intenso sobre a funda\u00e7\u00e3o de Itaja\u00ed que envolveu dezenas de intelectuais e ganhou muito espa\u00e7o na imprensa regional por d\u00e9cadas. Os documentos em m\u00e3os de Marcos Konder indicavam a funda\u00e7\u00e3o de Itaja\u00ed por Drummond. Os documentos em m\u00e3os de Jos\u00e9 Ferreira da Silva indicavam a funda\u00e7\u00e3o de Itaja\u00ed em outro ponto tendo como lideran\u00e7a Agostinho Alves Ramos.<\/p>\n<p>Sobre o processo fundacional de Itaja\u00ed eu considero que devemos continuar procurando documentos, principalmente no Arquivo Nacional, que possam esclarecer melhor as realiza\u00e7\u00f5es de Drummond no Tabuleiro \u00e0s margens do Itaja\u00ed-Mirim, bem como, a poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o do \u2018Caminho do meio\u2019 [hoje Estrada Geral do Rio do Meio] como um corredor log\u00edstico ligando este empreendimento \u00e0 Col\u00f4nia Nova Ericeira [atual Munic\u00edpio de Porto Belo]. Se um dia forem encontrados documentos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o mais detalhada deste caminho colonial e a liga\u00e7\u00e3o direta entre as col\u00f4nias Nova Ericeira \u2013 S\u00e3o Tomaz de Vila Nova, novas narrativas hist\u00f3ricas ter\u00e3o de ser constru\u00eddas, tirando da foz do Rio Itaja\u00ed o protagonismo da coloniza\u00e7\u00e3o e, por consequ\u00eancia, da funda\u00e7\u00e3o de Itaja\u00ed.<\/p>\n<p>Novos documentos hist\u00f3ricos s\u00e3o descobertos todos os dias e, nada desabona, a ideia de gradativamente irmos preenchendo lacunas que encontramos facilmente na narrativa hist\u00f3rica da g\u00eanese da comunidade itajaiense. O ponto mais lacunar dessa narrativa encontramos, justamente, no tocante \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia S\u00e3o Tomaz de Vila Nova, por Drummond, \u00e0s margens do Rio Itaja\u00ed-Mirim. Por outro lado, tudo indica que novos documentos chegar\u00e3o \u00e0s nossas m\u00e3os brevemente, devido ao processo r\u00e1pido que est\u00e1 ocorrendo a digitaliza\u00e7\u00e3o dos acervos p\u00fablicos em Florian\u00f3polis e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nessa \u00faltima semana de abril [ano de 2022] presenciei um evento que bem serve de exemplo para ilustrar essa postura esperan\u00e7osa na descoberta de novos documentos que possam elucidar determinadas passagens hist\u00f3ricas ainda lacunares. O colecionador Carlos Gu\u00e9rios comprou em leil\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo documentos originais do processo que o Estado de Santa Catarina manteve contra o diretor da F\u00e1brica de Papel Itajahy, Victor Kleine, por suposta simpatia \u00e0 Alemanha em plena Segunda Guerra Mundial. Estes documentos estavam integrando uma cole\u00e7\u00e3o de selos de um filatelista de S\u00e3o Paulo e foram doados \u00e0 AAMAPI \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Museu e Arquivo P\u00fablico de Itaja\u00ed. Ao receber os documentos, seu presidente, historiador Edison d\u2019\u00c1vila, destacou que o Arquivo n\u00e3o tinha at\u00e9 agora um documento oficial sobre as pris\u00f5es de descendentes germ\u00e2nicos que ocorreram durante a Grande Guerra. O que se tinha eram, t\u00e3o-somente, relatos escritos e orais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito comum que os leitores de livros que versam sobre a hist\u00f3ria de uma cidade considerem o relato sobre a origem de um determinado lugar como algo \u2018imex\u00edvel\u2019, fixo, pronto e determinado. 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