{"id":395,"date":"2022-09-11T11:28:42","date_gmt":"2022-09-11T14:28:42","guid":{"rendered":"https:\/\/magru.com.br\/web\/?p=395"},"modified":"2022-09-11T11:28:42","modified_gmt":"2022-09-11T14:28:42","slug":"o-celular-como-maquina-de-teletransporte-para-as-nuvens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/magru.com.br\/web\/o-celular-como-maquina-de-teletransporte-para-as-nuvens\/","title":{"rendered":"O CELULAR COMO M\u00c1QUINA DE TELETRANSPORTE PARA AS NUVENS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-396 alignright\" src=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cartum-menino-em-livro-como-se-fosse-barco-CELULARES-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cartum-menino-em-livro-como-se-fosse-barco-CELULARES-208x300.jpg 208w, https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cartum-menino-em-livro-como-se-fosse-barco-CELULARES.jpg 666w\" sizes=\"auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/>No mundo atual nada \u00e9 mais emblem\u00e1tico do que o aparelho celular conectado \u00e0 Internet que d\u00e1 acesso \u00e0s redes sociais. Tempo e Espa\u00e7o s\u00e3o anulados pela mente que atende ao chamado de algu\u00e9m que est\u00e1 em qualquer outro ponto do Planeta. A urg\u00eancia de atender ao chamado \u00e9 imperativa, autorit\u00e1ria, priorit\u00e1ria, condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia. N\u00e3o importa se o sujeito est\u00e1 dirigindo em uma rodovia a cem quil\u00f4metros por hora, se est\u00e1 falando com o m\u00e9dico sobre seu c\u00e2ncer de mama, se est\u00e1 dirigindo uma moto ou bicicleta &#8230; o som da chamada do celular obriga necessariamente a atender, a dar prioridade, a deslocar-se para uma bolha fora da realidade objetiva.<\/p>\n<p>Duas pessoas conectadas ficam suspensas no ar \u2013 como um holograma \u2013 conversando normalmente como se estivessem uma frente a outra. \u00a0Enquanto dura esse di\u00e1logo hologr\u00e1fico a pessoa n\u00e3o est\u00e1 presente ao corpo, \u00e9 transportada para um outro espa\u00e7o-tempo, mantendo apenas a presen\u00e7a corporal no lugar-tempo em que se encontra fisicamente. Seria um correspondente ao estado de coma de um paciente deitado na maca do hospital. Esse teletransporte mental retira da pessoa qualquer condi\u00e7\u00e3o de sociabilidade presencial. Portanto, ao atender a chamada em rede, a pessoa opta por desconectar-se do mundo presencial para conectar-se ao mundo midi\u00e1tico. Um mundo cujo tempo-espa\u00e7o tem exist\u00eancia nas nuvens \u2013 onde o sujeito \u00e9 suspenso no ar como holograma.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos tenho testemunhado que as pessoas t\u00eam se mostrado mais irritadi\u00e7as com a minha pr\u00e1tica de n\u00e3o atender imediatamente \u00e0s chamadas no meu celular. Se estou dirigindo, se estou conversando, se estou escrevendo ou fazendo minhas xilogravuras &#8230; deixo para atender o celular depois. Amigos, como Carlos Gu\u00e9rios e Amaro da Silva Neto, tomaram uma decis\u00e3o ainda mais radical, optando simplesmente por n\u00e3o possu\u00edrem celular. S\u00e3o luditas e, portanto, exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra geral estabelecida no mundo de hoje. Por outro lado, percebo que cada vez mais as pessoas come\u00e7am a apresentar s\u00e9rias dificuldades em contrariar as imposi\u00e7\u00f5es estabelecidas pela m\u00e1quina. Principalmente os mais jovens ficam impacientes, irrequietos, agitados, angustiados &#8230; se, por algum motivo imperioso, n\u00e3o podem atender \u00e0s chamadas de suas redes sociais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, parece mais do que evidente que o celular mudou a l\u00f3gica das sociabilidades. A pessoa que est\u00e1 presente, conversando, deixa de ser merecedora de receber a aten\u00e7\u00e3o plena e at\u00e9 de ter prioridade no di\u00e1logo. O di\u00e1logo com quem est\u00e1 ao telefone, na rede, corre paralelo ao di\u00e1logo com a pessoa presente, mas, contudo, ocorrendo uma escala de valores onde o di\u00e1logo presencial perde em import\u00e2ncia para o di\u00e1logo midi\u00e1tico. \u00a0O di\u00e1logo presencial fica picotado, intercalado, interrompido no seu fundamento enquanto sociabilidade. Nesse ponto, o amigo presente tem de competir na conquista da aten\u00e7\u00e3o de seu interlocutor com uma horda de desconhecidos que est\u00e3o habitando a nuvem midi\u00e1tica a qual ele est\u00e1 conectado. H\u00e1 uma presen\u00e7a parcial, porque o interlocutor est\u00e1 presente fisicamente e ao mesmo tempo est\u00e1 conectado na nuvem querendo promover o feito de estar em dois lugares ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Dessa necessidade em estar conectado ao mundo real e ao midi\u00e1tico ao mesmo tempo resta alguns problemas em termos de sociabilidade. O primeiro deles diz respeito ao roubo de liberdade e constrangimento do exerc\u00edcio pleno do livre-arb\u00edtrio, porque h\u00e1 uma evidente impossibilidade psicol\u00f3gica do sujeito dizer n\u00e3o ao chamado da m\u00e1quina. O sujeito considera que a chamada \u00e9 impositiva e n\u00e3o atend\u00ea-la prontamente corresponde a uma falha grave a partir do seu modo de ver-se no mundo, seu conceito de ser social, de pertencimento do grupo. O segundo problema diz respeito \u00e0 perda de qualidade na viv\u00eancia presencial. Voc\u00ea est\u00e1 em um show musical maravilhoso, e, no lugar de aproveitar ao m\u00e1ximo aquele momento, fica preocupado em gravar e transmitir as imagens para seu grupo midi\u00e1tico. Voc\u00ea est\u00e1 em Paris e sua cabe\u00e7a est\u00e1 cheia de preocupa\u00e7\u00e3o sobre a fotografia que estar\u00e1 enviando para os amigos midi\u00e1ticos. Voc\u00ea est\u00e1 em Paris com a cabe\u00e7a na nuvem, voc\u00ea est\u00e1 diante do amor da sua vida com a cabe\u00e7a na nuvem, voc\u00ea est\u00e1 vendo o artilheiro do seu time fazer o gol do t\u00edtulo com a cabe\u00e7a na nuvem&#8230; voc\u00ea est\u00e1 presente e n\u00e3o est\u00e1 presente, voc\u00ea est\u00e1 na terra e na nuvem, aqui e l\u00e1.<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a em dois mundos ao mesmo tempo lhe tira qualidade de vida e a \u00fanica forma de resolver essa quest\u00e3o \u00e9 dar tempo determinado para o uso da tecnologia. Voc\u00ea tem de se educar a ponto de conseguir dizer n\u00e3o ao seu celular e sua rede de amigos midi\u00e1ticos.\u00a0 Ter tempo para estar presente e tempo para ir para as nuvens. Ficar ao mesmo tempo na terra e na nuvem \u00e9 viver estranhamente entre o real e o midi\u00e1tico, em um mundo qu\u00e2ntico de estar presente estando ausente ou, se preferir, estar ausente estando presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mundo atual nada \u00e9 mais emblem\u00e1tico do que o aparelho celular conectado \u00e0 Internet que d\u00e1 acesso \u00e0s redes sociais. Tempo e Espa\u00e7o s\u00e3o anulados pela mente que atende ao chamado de algu\u00e9m que est\u00e1 em qualquer outro ponto do Planeta. 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