{"id":435,"date":"2023-05-15T10:35:13","date_gmt":"2023-05-15T13:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/magru.com.br\/web\/?p=435"},"modified":"2023-05-15T10:35:13","modified_gmt":"2023-05-15T13:35:13","slug":"minha-paixao-pelos-livros-e-o-despreendimento-de-doar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/magru.com.br\/web\/minha-paixao-pelos-livros-e-o-despreendimento-de-doar\/","title":{"rendered":"MINHA PAIX\u00c3O PELOS LIVROS E O DESPREENDIMENTO DE DOAR"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-413 alignright\" src=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/museu-do-livro-de-itaja\u00ed-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/museu-do-livro-de-itaja\u00ed-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/museu-do-livro-de-itaja\u00ed-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/museu-do-livro-de-itaja\u00ed-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/museu-do-livro-de-itaja\u00ed-1-1170x878.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Magru Floriano<\/p>\n<p>Considero que comecei ler tardiamente. Ler de forma apaixonada, como uma pessoa que escolhe estar em companhia de um livro. Aos quinze anos de idade &#8211; tendo como refer\u00eancia o acervo da biblioteca do Col\u00e9gio Salesiano &#8211; fui me iniciando na leitura como atividade de entretenimento, leitura espont\u00e2nea, fora das obriga\u00e7\u00f5es escolares. Li de Plat\u00e3o a Arist\u00f3teles, passando pelo teatro grego; depois, li os cl\u00e1ssicos do Renascimento seguindo uma trilha intensa e surpreendente. No caminho me apaixonei por Fernando Pessoa, Willian Shakespeare, Herman Hesse, Khalil Gibran, Lobsang Rampa, Jean-Jacques Rousseau, Victor Hugo, Jorge Amado &#8230; Essa paix\u00e3o me levou a ter uma biblioteca com mais de cinco mil exemplares. Era o meu maior orgulho. Era a materializa\u00e7\u00e3o da minha autoimagem de leitor.<\/p>\n<p>Acontece que sofri drasticamente com as enchentes de 1983 e 1984 no Vale do Itaja\u00ed. Era morador do bairro de Cordeiros \u2013 Itaja\u00ed SC &#8211; e retirar os livros de casa foi um trabalho exaustivo. Na volta \u00e0 normalidade tomei uma iniciativa dr\u00e1stica: antes de devolver os livros \u00e0s estantes, resolvi promover uma triagem, ficando somente com os livros que: 1 &#8211; serviam como fonte de consulta aos meus estudos; 2 \u2013 tinha interesse em reler; 3 \u2013 continham alguma import\u00e2ncia afetiva. O restante resolvi doar aos amigos e bibliotecas de escolas. O mesmo voltou a ocorrer quando me aposentei, em 2015, como professor da Univali. Resolvi doar aos amigos todos os meus livros t\u00e9cnicos de Comunica\u00e7\u00e3o Social, assim como livros que utilizava para lecionar Sociologia, Sociologia Brasileira, Filosofia, Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Doei de Paulo Freire a Ant\u00f4nio Gramsci; de Celso Furtado a Hannah Arendt.<\/p>\n<p>Atualmente, tenho uma biblioteca geral com menos de quinhentos t\u00edtulos e uma cole\u00e7\u00e3o de livros de autores da Regi\u00e3o da Grande Itaja\u00ed que ultrapassa a casa dos dois mil exemplares. A minha biblioteca, ent\u00e3o, passou por tr\u00eas est\u00e1gios bem distintos: no in\u00edcio ela era uma biblioteca com t\u00edtulos gerais, com predomin\u00e2ncia dos livros que comprei como acad\u00eamico dos cursos de Biblioteconomia, Hist\u00f3ria, Direito e Pedagogia, al\u00e9m dos livros dos meus cl\u00e1ssicos preferidos; em um segundo momento, j\u00e1 como professor universit\u00e1rio, predominavam t\u00edtulos t\u00e9cnicos, indispens\u00e1veis para o preparo das minhas aulas; atualmente, a t\u00f4nica \u00e9 para a minha cole\u00e7\u00e3o de autores do Baixo Vale do Itaja\u00ed.<\/p>\n<p>Acontece que como administrador da p\u00e1gina no Facebook \u2018Itaja\u00ed de Antigamente\u2019 recebo muitas doa\u00e7\u00f5es de livros de autores da regi\u00e3o. Ent\u00e3o, eu fa\u00e7o uma triagem e mantenho uma boa rela\u00e7\u00e3o com os amigos nessa atividade de doar e receber doa\u00e7\u00e3o de livros antigos. No final do ano de 2022 cheguei a receber quase uma centena de livros. Na triagem, fiquei com cerca de trinta t\u00edtulos e, os demais, doei para amigos que tamb\u00e9m s\u00e3o colecionadores de livros de Itaja\u00ed, como \u00e9 o caso de Eliezer Patissi, Carlos Guerios e Dolor Silva. A ideia \u00e9 estimular outras pessoas a tamb\u00e9m colecionarem livros de autores da regi\u00e3o, formando uma rede de colecionadores de livros de Itaja\u00ed. De minha parte, tenho o sonho de criar o MUSEU DO LIVRO, onde pesquisadores e leitores poder\u00e3o encontrar todos, absolutamente, todos os livros escritos em Itaja\u00ed e\/ou por itajaienses. Na minha avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o falta muito para completar este acervo. Entre as faltas, destaco um exemplar do \u2018Anu\u00e1rio de Itaja\u00ed para o ano de 1924\u2019, um ou outro livro de Lausimar Laus, Arnaldo Brand\u00e3o e Marcos Konder.\u00a0 Na medida do poss\u00edvel empreendo um bom esfor\u00e7o em adquirir as novas obras publicadas, mantendo o acervo o mais atualizado poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O bom de receber livro em doa\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, de doar, \u00e9 que voc\u00ea tem a oportunidade de colocar os exemplares em m\u00e3os de pessoas que sabem dar valor a eles. No caso dos livros t\u00e9cnicos que tinha em minha biblioteca, fiquei muito feliz por do\u00e1-los a professores que ter\u00e3o neles uma base de consulta r\u00e1pida. Aposentado da doc\u00eancia, n\u00e3o fazia mais sentido t\u00ea-los em casa. A doa\u00e7\u00e3o, portanto, teve como refer\u00eancia o objetivo de utilidade. Meus livros t\u00e9cnicos s\u00e3o mais \u00fateis nas casas de professores que est\u00e3o na lida. Fico feliz de saber que eles est\u00e3o sendo lidos, consultados, emprestados.<\/p>\n<p>O ato de doa\u00e7\u00e3o de um livro, vale destacar, n\u00e3o \u00e9 um simples ato de se desfazer de um objeto sem valor que est\u00e1 atrapalhando seu cotidiano, um estorvo, um lixo dentro de casa. Muito pelo contr\u00e1rio, a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de desprendimento, porque voc\u00ea considera que o livro tem um determinado valor, mas, que mesmo assim deve seguir seu caminho sendo mais \u00fatil em m\u00e3os de outras pessoas. Na contram\u00e3o dessa paix\u00e3o pelos livros tem aqueles que jogam livros na lata do lixo recicl\u00e1vel como joga uma garrafa vazia de vinho. Para a felicidade dos colecionadores e apaixonados por livros, nos dias atuais, os catadores de papel j\u00e1 t\u00eam consci\u00eancia do valor econ\u00f4mico desses exemplares e a maioria absoluta deles acaba nas prateleiras das livrarias especializadas em livros usados, nossos tradicionais sebos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magru Floriano Considero que comecei ler tardiamente. Ler de forma apaixonada, como uma pessoa que escolhe estar em companhia de um livro. Aos quinze anos de idade &#8211; tendo como refer\u00eancia o acervo da biblioteca do Col\u00e9gio Salesiano &#8211; fui me iniciando na leitura como atividade de entretenimento, leitura espont\u00e2nea, fora das obriga\u00e7\u00f5es escolares. 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