{"id":482,"date":"2024-06-10T10:18:00","date_gmt":"2024-06-10T13:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/magru.com.br\/web\/?p=482"},"modified":"2024-06-13T20:27:00","modified_gmt":"2024-06-13T23:27:00","slug":"482-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/magru.com.br\/web\/482-2\/","title":{"rendered":"O futuro da imprensa"},"content":{"rendered":"\r\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis: 66.66%;\">\r\n<p style=\"text-align: right;\">O futuro da imprensa \u00e9 n\u00e3o ter imprensa. Isto se levarmos em conta que o termo imprensa remete diretamente \u00e0 atividade de impress\u00e3o. N\u00e3o teremos mais jornais\/revistas impressos. Mas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. N\u00e3o teremos tamb\u00e9m jornalismo enquanto atividade profissional remunerada. Teremos comentaristas, apresentadores e animadores de programas em r\u00e1dio e TV, comentaristas e colunistas nos jornais digitais e nas m\u00faltiplas plataformas ocupadas pelas redes sociais na Internet. Atualmente [2024] estima-se que noventa por cento dos jornalistas graduados pelas universidades catarinenses esteja trabalhando no setor de assessoria de imprensa e produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de conte\u00fado digital.<\/p>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis: 33.33%;\">\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-485 alignright\" src=\"https:\/\/magru.com.br\/web\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/ivan-rupp-bittencourt-no-atelie-do-magru-junho-2024-entrevista-a-gracie-NDTV-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"479\" \/>\r\n<figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornalistas Gracie e Ivan Rupp no ateli\u00ea de Magru Floriano &#8211; 2024.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Entre os anos de 1970 e 2000 o normal seria que o jornalista tivesse emprego priorit\u00e1rio em um \u00f3rg\u00e3o de imprensa [r\u00e1dio, TV, jornal, site de not\u00edcia] e, fizesse \u2018bico\u2019 em assessorias ocasionais.\u00a0 Nos dias atuais [2024] a pir\u00e2mide ocupacional se inverteu e a assessoria de imprensa virou o principal mercado do jornalista. S\u00e3o elas que pautam todos os jornais \u2013 os que resistiram \u00e0 concorr\u00eancia com as m\u00eddias digitais \u2013 r\u00e1dio e televis\u00e3o. \u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A imprensa est\u00e1 pautada por dois grandes focos produtores de informa\u00e7\u00f5es: assessoria de imprensa e redes sociais digitais. O problema \u00e9 que ambos os conte\u00fados produzidos por eles s\u00e3o tecnicamente med\u00edocres. Enquanto a assessoria s\u00f3 v\u00ea o lado da empresa que trabalha, as redes sociais s\u00e3o condicionadas pelo mal do \u2018achismo\u2019 e da opini\u00e3o sem qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. O quadro fica ainda mais grave quando colocamos nas reda\u00e7\u00f5es gente que n\u00e3o sabe escrever e repassa para a IA \u2013 Intelig\u00eancia Artificial \u2013 a miss\u00e3o de elaborar o texto a partir de algumas informa\u00e7\u00f5es coletadas apressadamente na Internet.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No dia 11 de janeiro de 2018 publiquei um texto com o t\u00edtulo \u2018Quem reclama? Do que reclama?\u2019 na plataforma Facebook. Em 24 horas o material contava com 1.500 curtidas, 1.200 compartilhamentos, 500 coment\u00e1rios vindos de todas as regi\u00f5es de Santa Catarina. No dia seguinte, o Di\u00e1rio do Litoral publicou um depoimento meu sobre o anivers\u00e1rio de 39 anos do jornal \u2013 j\u00e1 que fui um dos seus primeiros rep\u00f3rteres. Apenas uma pessoa me enviou mensagem comentando sobre minha participa\u00e7\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o do jornal mais lido da cidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A pandemia do Covid simplesmente acelerou uma tend\u00eancia que vinha se desenrolando por muito tempo e, tudo indicava, ainda ia demorar um tempo relativo para se completar. O tempo hist\u00f3rico foi acelerado na pandemia a partir de 2019. Por conta do aux\u00edlio do Governo Federal, por exemplo, todas as pessoas com baixa renda tiveram de abrir conta digital e indicar um n\u00famero de celular, migrando compulsoriamente para o banco digital e seus produtos revolucion\u00e1rios n\u00e3o presenciais, como \u00e9 o caso de \u2018Aplicativo Banc\u00e1rio\u2019 e o sistema de pagamento \u2018Pix\u2019. A totalidade da sociedade brasileira foi incorporada \u00e0 era digital &#8230; o resto \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Tendo um celular em m\u00e3os conectado \u00e0 Internet por que motivos a popula\u00e7\u00e3o iria esperar at\u00e9 o dia seguinte para ler as not\u00edcias em um jornal impresso? Principalmente a plataforma WhattsApp, ao formar grupos de interesses, conecta a pessoa ao mundo real instant\u00e2neo. Um acidente na BR-101 \u00e9 filmado\/fotografado e no mesmo instante transmitido por toda a rede na velocidade de segundos. O jornal tinha dois produtos que interessavam ao leitor: not\u00edcia e opini\u00e3o. A not\u00edcia \u00e9 veiculada instantaneamente pelos grupos digitais via WhattsApp, Instagran, Facebook &#8230;; a opini\u00e3o \u00e9 expressa \u00e0 exaust\u00e3o nas redes sociais. Sobrou o que para o jornal do dia seguinte?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas, calma, nunca est\u00e1 suficientemente ruim que n\u00e3o possa piorar um pouco mais. Devido ao quadro bipolarizado do cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, as pessoas come\u00e7aram a ter o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de desqualificar qualquer conte\u00fado jornal\u00edstico transmitido por determinado ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esteja alinhado ao seu grupo ideol\u00f3gico. A Rede Globo \u00e9 uma das v\u00edtimas dessa realidade contaminada ideologicamente, mas est\u00e1 longe de ser a \u00fanica. Junto a esta escolha pelo \u00f3rg\u00e3o de imprensa alinhado ideologicamente vem a tend\u00eancia de aceitar com muita naturalidade \u2018fake news\u2019, desde que a mesma esteja de acordo com suas ideias e interesses ideol\u00f3gicos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Temos um cen\u00e1rio de tempestade perfeita: fake news, escolha ideol\u00f3gica da fonte de not\u00edcia, manipula\u00e7\u00e3o de imagens por mecanismos de IA \u2013 Intelig\u00eancia Artificial, fim do jornalismo de m\u00faltiplas fontes &#8230; tudo isso leva \u00e0 ascens\u00e3o e hegemonia do idiota como o comunicador de sucesso. O especialista, o t\u00e9cnico, aquele que estudou durante d\u00e9cadas um determinado assunto, tem de disputar vorazmente com o idiota seu espa\u00e7o de opini\u00e3o nas plataformas digitais. No mundo digital todo mundo \u00e9 doutor de tudo. Ler e estudar deixa-se para depois, porque o agora exige que se lance a opini\u00e3o para conquistar seguidores.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futuro da imprensa \u00e9 n\u00e3o ter imprensa. Isto se levarmos em conta que o termo imprensa remete diretamente \u00e0 atividade de impress\u00e3o. N\u00e3o teremos mais jornais\/revistas impressos. Mas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. N\u00e3o teremos tamb\u00e9m jornalismo enquanto atividade profissional remunerada. 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