No mundo confuso que vivemos hoje passa a ser extremamente relevante termos pessoas como referência moral. Há muito acostumamos a ter apenas pessoas bem-sucedidas nos setores de economia e política como referências. O sucesso financeiro, notadamente, ganhou importância exponencial com a ideia messiânica de que ‘aquele que tem sucesso financeiro é ungido por Deus’. Dinheiro em primeiro lugar, sempre. O resto vamos levando como dá.
Por este motivo, fui surpreendido ao assistir o filme ‘Zico – o samurai de Quintino’. Ali, tomei conhecimento de que a sociedade japonesa cultiva a imagem do jogador brasileiro Zico (Arthur Antunes Coimbra) como um homem que consideram entre aqueles que devem ser seguidos, por sua retidão de caráter e postura profissional. Expressam essa ideia com a frase ‘Espírito de Zico’ (Spirit of Zico).
Após constatar que os japoneses possuem Zico como referência moral e profissional constatamos que aqui no Brasil temos Zico apenas como referência de um jogador de futebol. Ele não serve como referência moral, porque disso não precisamos. Afinal, somos o país do ‘jeitinho’. Por isso mesmo, nossos grandes nomes são mais cultuados fora do Brasil do que propriamente pelos brasileiros. Paulo Freire, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Coelho, Zico, Zilda Arns … nomes não nos faltam. Falta, contudo, vontade de trocar o ‘jeitinho’ por postura ética.