O tamanho dos navios

Uma reportagem do jornal O Estado do ano de 1977 dá uma boa ideia de como os navios foram mudando de tamanho nos últimos anos. Segundo essa reportagem, três navios que recém saíram dos estaleiros, portanto, contavam com o que tinha de mais moderno na construção naval da época, mediam entre 145 e 171 metros.

Lembro, quando repórter do Jornal de Santa Catarina em Itajaí, no final da década de 1980, quando o editor de econômica em Blumenau colocou o título de ‘navio-monstro’ a um navio com mais de 200 metros de comprimento que atracou no Porto de Itajaí. Ele considerou o navio gigantesco e deu manchete de capa.

Mas, demorou pouco tempo para estes navios também serem considerados pequenos, porque os navios rapidamente conheçaram a medir 300 metros. O primeiro a superar essa marca foi o navio ‘MV Ever Laurel’ que atracou em Itajaí no dia 01 de junho de 2020. Ele é integrante de uma nova era na navegação: a Era do Containeres.

Carga geral

Os navios de carga geral foram deixados de lado e, atualmente, apenas um navio pode carregar até 6 mil containeres. Também ficou de lado as estadas longas dos navios nos terminais, tornando normal o navio permanecer no máximo um dia atracado. No tempo antigo, principalmente nas cargas gerais com maior dificuldade de embarque (madeira, café, açúcar e frango, …) o navio podia ficar até 15 dias atracado, fazendo com que a marujada se espalhace pela vida boêmia da cidade.

Os menores navios eram os de cabotagem (que faziam apenas os portos internos do Brasil) e as chatas argentinas (que vinham buscar madeira). O Anunciata Ramos, da Narsa – Navegação Antônio Ramos – de Itajaí, tinha menos de 80 metros de comprimento e largura de menos de 13 metros. Trazia sal do norte. Só para comparar, o navio porta-contêineres ‘CMA CGM Amazônia’, que atracou no Terminal de Itajaí em outubro de 2024, media 336 metros de comprimento, tendo 51 metros de largura (boca).

Visitas aos domingos

Apesar do Porto de Itajaí ter sido construído com muros altos, ultrapassar seus portões para uma visita dominical era tradição de família. Meu pai (Sebastião Floriano dos Santos) era conferente do Porto e, aos domingos, nos levava para conhecer por dentro os navios ali atracados, inclusive os estrangeiros. Por incrível que isso possa parecer nos dias atuais, até a casa de máquina era possível visitar. Dependendo dos oficiais do navio chegávamos a ganhar presentes da tripulação. Essa tradição familiar acabou abruptamente motivada pela nova realidade internacional que demandou estruturar de forma muito mais rígida o acesso aos navios de rotas internacionais, principalmente aqueles com cargas destinadas aos portos dos Estados Unidos da América.

Naquele tempo de moleque eu costumava fazer coleção de tudo e aproveitava estes passeios para aumentar as minhas coleções de maço de cigarro e caixa de fósforo. Os sons do Porto guardo na memória: apitos do trem e dos navios; a batida cadenciada da madeira sendo empilhada; os tratores-grilos na rua Blumenau; o ranger dos paus-de-carga e guindastes…

O futuro

Agora, todo o empenho das autoridades portuárias é pela retirada da carcaça do navio federalista ‘Pallas’, visando aprofundar o canal de acesso aos Terminais Portuários do Rio Itajaí, possibilitando a entrada de navios com tamanho acima de 400 metros.

TEXTO: Magru Floriano

FONTES:

1 – O ESTADO. Florianópolis. edição nº 18776 datado de 03/08/1977.

2 – Carlos Alberto Cordeiros. https://www.facebook.com/groups/317816911614732/user/100023766741777/

Protagonismo

O futebol acaba de nos dar uma aula extraordinária sobre protagonismo. Enquanto toda a mídia internacional ficou centrada em dar destaque a jogadores que fazem gol, como Neymar, Yamal, Mbappé, Messi, Kane, Vinicius Júnior … no campo, com a bola correndo, o protagonismo foi completamente outro. A inteligência tática de Rodri, da Espanha, foi o grande destaque do esporte. Essa surpresa, por merecimento, já havia ocorrido na Bola de Ouro, mas os comunicadores não aprenderam a lição. Meses atrás Rodri já havia surpreendido quem insiste em ver o futebol apenas pela lógica de quem faz gol e, não, de quem pensa o jogo como um todo. Enquanto os comunicadores destacam os gols de Messi e Mbappé, Rodri pensava o jogo inteiro e distribuía a bola a partir do meio campo. Resultado: ganhou todos os prêmios. “Zerou o futebol’ como diz um post que colhi na Internet dia desse.

Os comentaristas esportivos ainda não aprenderam uma lição básica do futebol: esse esporte é coletivo. Sendo um esporte coletivo, precisa de alguém que pensa o todo, que distribui o jogo, que controla o ritmo, que cobra da equipe obediência tática … Rodri é tudo isso e, por isso mesmo, pegou novamente todo mundo de surpresa. Com o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo, superando até mesmo Messi, fica a grande lição a todos: não basta fazer gol, tem de pensar o coletivo.

Um robô na Univali

Dia desse estava andando pelos corredores da Univali quando me deparei com um robô. Um robô de verdade. Ele me olhou, falou o que bem quis, e eu segui caminhando pensando nele e no tempo de juventude onde os robôs eram apenas brinquedos de corda ou eram personagens de séries de televisão. Lembrei da Rosie, dos Flinstons, do B9, do HAL 9000, do Roy e, principalmente, do Deep Blue, porque sou um aficionado do jogo de xadrez e nunca me conformei com a derrota do genial Kasparov. Senti de forma impactante que o mundo mudou de forma radical e o que era ficção virou realidade neste curto período que frequentei a Univali, como aluno de História nos idos de 1975 à minha aposentadoria como professor em 2015.

Os primeiros robôs que vi na vida eram personagens de uma série animada intitulada ‘Os Jetsons’, transmitida na televisão brasileira a partir de 1963 e que foi popularizada nacionalmente, na década de 1970, pela Rede Globo. A Família Jetson convivia com diversas máquinas robóticas como: Rosie – a graciosa empregada doméstica; Ollie – o ascensorista do edifício; R.U.D.I – o computador central da empresa; Mac – o robô zelador do edifício; S.A.R.A. – a professora. Logo em seguida, em 1966, começou a ser veiculada a série ‘Perdidos no Espaço’, tendo como um dos protagonistas o robô B9, sempre pronto para tirar a Família Robinson de apuros intergaláticos.

No cinema, lembro do robô HAL 9000 do filme ‘2001: uma odisseia no espaço’ (1968) e o Roy Batty da distopia ‘Blade Runner’ (1982). Uma referência que sempre utilizo quando o assunto é a imersão da robótica no cotidiano humano, porque fala da possibilidade da máquina ter emoção. O robô rebelde Roy Batty, que tenta burlar as ‘Três leis da robótica’ estipuladas por Isaac Asimov em 1950, acaba por proferir o monólogo ‘lágrimas na chuva’ onde lamenta que com sua morte tudo simplesmente estará perdido, irremediavelmente esquecido. Diz em tom triste: “Eu vi coisas que vocês não imaginariam… Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer”.

Outro ponto de inflexão no pensamento sobre robótica diz respeito ao confronto, em 1997, entre o enxadrista soviético Garry Kasparov e o supercomputador da IBM ‘Deep Blue’, vencido pela máquina. Até aquele momento, estava estabelecida uma verdade absoluta: a inteligência artificial não pode vencer a inteligência humana porque não tem a capacidade de surpreender e criar. Venceu! A segunda premissa a ser quebrada é a questão da emoção e do sentimento. Quanto tempo demorará para termos um Roy Batty ao nosso lado?

Pois, bem, dia desse estava andando pelos corredores da Univali quando me deparei com um robô. Um robô de verdade. Ele me olhou, falou o que bem quis, e eu segui caminhando pensando nele e no tempo de juventude onde os robôs eram apenas brinquedos de corda. Lembrei da Rosie, dos Flinstons, do B9, do HAL 9000, do Roy e, principalmente, do Deep Blue, porque sou um aficionado do jogo de xadrez e nunca me conformei com a derrota do genial Kasparov.

Uma foto antiga …

Dia desse recebi, via rede social da Associação dos Aposentados da Univali, uma foto em Preto&Branco dos professores do Colégio Salesiano de Itajaí. Foi fácil identificar todos os retratados porque professor é um ente que impregna nossa memória em definitivo. Algumas lembranças correm fácil ao dar uma passada de vista pela imagem. Coisas boas, coisas ruins, outras nem tanto …. vida que segue.

FOTO: Danilo Campestrini, Cosme Busarello, Gilli Tres, Zeno, Pasqualini, Ivo Testoni, Dante Biz, Moisés Strommer, Áurea Moser, José Domingos Andrade, Ana Cobertta, Mário Slomp, Afonso Busarello, Paulo Roberto Carvalho, Zelândia (secretária executiva), Heriberto José Schmitt, Cacildo Rocha Romagnani.

OBS 1: senti falta de: Luiz Antônio Cechinel, Lino Fistarol, Geremias Moretto, Adolfo dos Anjos, Ítalo, Nair Teresinha.

OBS 2: ficamos na dúvida em identificar a primeira pessoa no lado esquerdo em pé. A dúvida ficou entre os professores de educação física Osvaldo e Jorge D’ivanenko.

Não botei fé e quebrei a cara

Tem coisas que a gente vê acontecer e não bota fé, não acredita que vai dar certo. Quando a Prefeitura ocupou a travessa Dagoberto Nogueira com duas mesas de pingue-pongue arrisquei afirmar que aquilo não seria utilizado por ninguém e que, no máximo em dois meses, tudo estaria depredado. Ledo engano. Desde sua inauguração, e isso já faz um tempinho, o local vive sempre ocupado por jovens adeptos do esporte do tênis de mesa, principalmente no período noturno e nos finais de semana. Um sucesso.

Aliás, essa não foi a primeira vez que eu quebrei a cara com minhas avaliações apressadas. Parece que foi no Governo Macagnan que andaram retirando umas figueirinhas horríveis, vindas de Santos, ali da avenida Joca Brandão, para dar lugar a um canteiro central com palmeiras imperiais. Eu disse que elas não iriam crescer e que aquilo ficaria feio e seria dinheiro público jogado fora. Hoje, passo por ali e fico encantado com a beleza do local. Quebrei a cara.

Quando começaram a construir o Pier Turístico, ali na avenida República Argentina, atual avenida Prefeito Paulo Bauer, eu sentenciei que não seria utilizado porque os navios de turismo não viriam para Itajaí. Centenas deles usaram o píer. Um sucesso que foi interrompido por um motivo não previsto por mim. Acontece que os navios de carga geral que utilizam os terminais do Porto de Itajaí aumentaram muito de tamanho, passando para 320 metros de comprimento e, logo ali na frente, chegarão a 400 metros. Isso demanda margens mais seguras de manobra no canal de acesso ao Porto o que inviabiliza por completo a atração de navios de turismo no local. Então o píer foi um sucesso e as circunstâncias da navegação mundial mudou o rumo do projeto. Quebrei a cara novamente.

Quando a imprensa de Itajaí foi chamada no gabinete do prefeito de Navegantes, acho que era o Deba, para anunciar o início dos estudos para construção de um Terminal Portuário no ‘Outro lado do rio’, eu e toda a imprensa de Itajaí não acreditamos. Chegamos a rir da ideia. Quebramos a cara coletivamente.

Quando fiquei sabendo que iram erguer um grande Shopping Center …

Quando anunciaram a construção de uma marina no Saco da Fazenda ….

Portanto, a partir de agora, quando anunciarem algo improvável eu vou utilizar de boa vontade e esperar para ver. Quem sabe realmente vai sair o túnel sob as águas do rio Itajaí …..

Mídias e Copa do Mundo

A Copa do Mundo ocorrida neste ano de 2026 nos países da América do Norte evidenciaram um fenômeno novo no setor de mídia. Ocorreu que a poderosa Rede Globo de Televisão, por década detentora exclusiva do direito de transmissão dos jogos de futebol da Copa do Mundo organizada pela Fifa, acabou deixando de lado as mídias alternativas, como é o caso da plataforma na Internet YouTube. Aproveitando-se desse vacilo, péssima análise de mercado e de tendências do comportamento do telespectador, uma empresa até então insignificante, CazéTV, ganhou o direito de transmissão dos jogos por plataformas digitais obtendo audiência considerada recorde em termos mundiais. A Fifa cedeu à CazéTV uma cornucópia extremamente generosa que fez jorrar anúncios e, por consequência, dinheiro infinito nos cofres da pequena empresa.

Desse vacilo da Rede Globo resta o consolo de saber que as mídias alternativas já desbancaram em definitivo as mídias tradicionais, como é o caso da ‘TV aberta’. No jornalismo, no entretenimento, no esporte, no cinema, na comunicação pessoal … a mídia digital vinculada ao telefone celular está se tornando hegemônica em todos os setores, do particular ao público; do informal ao empresarial.

A agilidade como ocorre o processo de comunicação atualmente não deixa muito espaço para as mídias tradicionais. Recentemente ocorreu um grande incêndio em empresa têxtil às margens da rodovia Antônio Heil, entre Itajaí e Brusque. Antes que a guarnição do Corpo de Bombeiros chegasse ao local já tínhamos diversos internautas transmitindo ao vivo do local. Quando a imprensa tradicional chegou, todo mundo já estava sabendo do sinistro e vendo as imagens. Uma pessoa apenas desbanca toda a estrutura de jornalismo da grande empresa de comunicação. Não dá de competir. O mundo mudou … o jeito é se adaptar. A Rede Globo que cuide, a partir de agora, de ocupar espaços nas mídias digitais, incluindo a transmissão via YouTube.

Proibido olhar à direita

Dia desse estava passeando pela avenida Prefeito Paulo Bauer, às margens do Rio Itajaí, quando me deparei com um pescador jogando algumas puçás na água barrenta do rio a partir de um trapiche abandonado. Fui até o local para fotografar a atividade tradicional de nossa gente quando se aproximou um turista vindo de Porto Alegre. Ele falava que estava maravilhado com tudo que via aqui em Itajaí, enquanto meu desconforto de itajaiense ia aumentando ao ver próximo de seus pés um amontoado de lixo, provavelmente deixado no local por barcos pesqueiros que ali atracaram anteriormente.

Sinceramente não dá de entender como a Prefeitura deixa a situação chegar naquele nível de abandono. Empresas ricas simplesmente tratam os seus trapiches com um descaso impressionante. Por outro lado, é de se perguntar sobre a última vez que Vigilância Sanitária, fiscalização da Secretaria de Obras e demais órgãos da Prefeitura visitaram o local.

Interessante perceber o contraste ali existente. Enquanto no outro lado da avenida a municipalidade cobra tudo e mais um pouco dos proprietários de prédios tombados como Patrimônio Histórico Edificado – são os casos da Companhia Bauer, Casa Malburg, Fiscalização do Porto e Casa Almeida & Voigt – ali, todo o sistema de fiscalização e até mesmo a Secretaria de Turismo simplesmente fazem de contas que não veem. Tudo abandonado, entre lixo e tábuas podres.

De que adianta preservar os casarios históricos, limpar a avenida, colocar protetores laterais de metal …. se a vista dos trapiches e das casinhas neles erguidas parece coisa de desleixo institucionalizado. A Secretaria de Turismo diz o que para um turista que atravessa o ferry boat vindo do Aeroporto de Navegantes?

Quem sabe vai colocar uma placa com os dizeres: ‘Proibido olhar à direita!”

O busto do Almirante Barroso

Dia desse a Prefeitura de Itajaí colocou um novo busto de Elizabeth Maria Reiser Malburg no Jardim Bruno Malburg. O primeiro foi roubado por vândalos, em 2017, porque era feito de liga metálica. O busto de Lauro Severiano Müller, na Praça Vidal Ramos, chegou a ser retirado do pedestal e por muito pouco também não foi levado por craqueiros em busca de alguns centavos para alimentar o vício.

Esses dois casos obrigam as autoridades constituídas a terem uma política rígida quanto aos cuidados com a integridade física dos monumentos públicos que demandam interesse comercial de andarilhos e vândalos. São obras de arte feitas de ligas metálicas, geralmente estanho e bronze. Essas peças podem ser facilmente derretidas e vendidas a quilo, desconsiderando por completo os valores artístico, histórico e sentimental de toda uma comunidade.

Pois bem, quem adentra o portal principal do Clube Náutico Almirante Barroso, pela rua Almirante Barroso, não pode deixar de notar a maneira como está instalado, nos dias atuais, o busto do patrono da entidade. O busto do Almirante Barroso está colocado sobre pneus cimentados. Por apresentar uma estética duvidosa, o ambiente parece desfavorecer a própria homenagem. No meu entendimento a Prefeitura de Itajaí e a Capitania dos Portos deveriam intervir junto à diretoria do clube para que um novo pedestal seja feito no local, dando ao almirante o seu devido valor.

Afinal, não é possível homenagear um almirante e herói brasileiro mantendo seu busto sobre pneus cimentados.

Reparação histórica

Lendo o livro de Bill Or ‘Isso não é um conto de terror’ me deparei com duas questões que envolvem diretamente o Casarão Burghardt que, eventualmente, poderiam merecer por parte de nossos historiadores e dirigentes culturais algum tipo de reparo histórico.

O primeiro possível reparo diz respeito à correta grafia do sobrenome que designa o casarão. Acontece que boa parte da documentação que se encontra no acervo da Casa Lins contém referência ao nome do proprietário do imóvel como sendo Burkhardt no lugar de Burghardt. Promovendo breve pesquisa na Internet me pareceu factível concluir que efetivamente o sobrenome da família se grafa com K e não com G, como no presente está identificado o referido imóvel. Sendo assim, nos resta estabelecer os seguintes questionamentos:

1 – em que momento e por quais motivos ocorreu a corrupção do nome familiar de Burkhardt para Burghardt?

2 – a Fundação Cultural e a Fundação Genésio Miranda Lins devem fazer o devido reparo em suas publicações oficiais e renomear o casarão com a grafia correta?

O segundo reparo diz respeito a um outro aspecto de sua denominação. Sendo Harry Hunt o verdadeiro construtor e proprietário do imóvel e Nikolau Burkhardt apenas seu segundo usuário – por ter casado com a viúva Mathilde -, não seria justo que a denominação fosse estabelecida como Casarão Hunt?

Neste ponto temos duas questões interessantes a refletir:

1 – foi a população de Itajaí que denominou o imóvel de Casarão Burkhardt esquecendo por completo do nome de seu construtor Harry Hunt;

2 – se denominarmos o imóvel pelo nome do seu construtor teríamos de fazer isso também com outros imóveis, como é o caso da Casa Lins que foi construída pelo médico Norberto Bachmann e, tempos depois, foi adquirida pela Família Lins.

Feitos os devidos questionamentos e conhecendo muitos detalhes que constituem toda a trama histórica, considero que o nome do imóvel deve ser mantido como Casarão Burghardt, respeitando a vontade popular. Por outro lado, por dever de ofício, as entidades oficiais devem trabalhar com as duas grafias do nome familiar. Devem grafar, portanto, Casarão Burghardt (Burkhardt).

Tradição e novas tecnologias na pesca da tainha

Num dia frio de julho resolvi passear pela Praia de Mariscal observando a natureza da região abandonada pelos turistas. Passou bem pouco tempo e um grupo de pescadores formou uma pequena roda na areia da praia visualizando o monitor de um drone que sobrevoa o mar. Cheguei perto para observar do que se tratava e me surpreendi: estavam monitorando um cardume de tainha estacionário próximo ao costão entre Mariscal e Quatro Ilhas.

Assim que tive oportunidade de conversar com o controlador do drone, perguntei: “Acabou a profissão tradicional do ‘atalaia’. Não precisa mais de vigia, porque o drone vê melhor e não erra, não é mesmo?!” O jovem me respondeu prontamente: “Nada disso. O vigia ainda tem sua parte na pesca da tainha, porque ele sinaliza exatamente onde o cerco deve ocorrer. Tem toda uma tradição de comunicação entre o vigia e o patrão embarcado que possibilita o cerco correto, não deixando a canoa furar o cardume.”

Na verdade, bem sabemos, a atividade do vigia vai perder precedência e status para o operador de drone. O jovem que domina novas tecnologias vai ficar mais importante do que o velho lobo do mar, que tudo sabia e tudo via, firmando-se como os olhos de toda a aldeia de pescadores. O jovem com tecnologia em mãos e o velho com um paletó surrado, este é o cenário. O jovem na praia olhando um monitor digital, o velho de cima de uma pedra movimentando seu paletó para indicar a direção que deve seguir a canoa visando fazer o cerco correto do cardume.

Atualmente não dá de prever se realmente o atalaia vai ter sua atividade extinta. Mas, temos certeza, o jovem e seu drone nunca mais deixarão as aldeias de nossos pescadores de tainha.