Dia desse estava andando pelos corredores da Univali quando me deparei com um robô. Um robô de verdade. Ele me olhou, falou o que bem quis, e eu segui caminhando pensando nele e no tempo de juventude onde os robôs eram apenas brinquedos de corda ou eram personagens de séries de televisão. Lembrei da Rosie, dos Flinstons, do B9, do HAL 9000, do Roy e, principalmente, do Deep Blue, porque sou um aficionado do jogo de xadrez e nunca me conformei com a derrota do genial Kasparov. Senti de forma impactante que o mundo mudou de forma radical e o que era ficção virou realidade neste curto período que frequentei a Univali, como aluno de História nos idos de 1975 à minha aposentadoria como professor em 2015.

Os primeiros robôs que vi na vida eram personagens de uma série animada intitulada ‘Os Jetsons’, transmitida na televisão brasileira a partir de 1963 e que foi popularizada nacionalmente, na década de 1970, pela Rede Globo. A Família Jetson convivia com diversas máquinas robóticas como: Rosie – a graciosa empregada doméstica; Ollie – o ascensorista do edifício; R.U.D.I – o computador central da empresa; Mac – o robô zelador do edifício; S.A.R.A. – a professora. Logo em seguida, em 1966, começou a ser veiculada a série ‘Perdidos no Espaço’, tendo como um dos protagonistas o robô B9, sempre pronto para tirar a Família Robinson de apuros intergaláticos.

No cinema, lembro do robô HAL 9000 do filme ‘2001: uma odisseia no espaço’ (1968) e o Roy Batty da distopia ‘Blade Runner’ (1982). Uma referência que sempre utilizo quando o assunto é a imersão da robótica no cotidiano humano, porque fala da possibilidade da máquina ter emoção. O robô rebelde Roy Batty, que tenta burlar as ‘Três leis da robótica’ estipuladas por Isaac Asimov em 1950, acaba por proferir o monólogo ‘lágrimas na chuva’ onde lamenta que com sua morte tudo simplesmente estará perdido, irremediavelmente esquecido. Diz em tom triste: “Eu vi coisas que vocês não imaginariam… Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer”.

Outro ponto de inflexão no pensamento sobre robótica diz respeito ao confronto, em 1997, entre o enxadrista soviético Garry Kasparov e o supercomputador da IBM ‘Deep Blue’, vencido pela máquina. Até aquele momento, estava estabelecida uma verdade absoluta: a inteligência artificial não pode vencer a inteligência humana porque não tem a capacidade de surpreender e criar. Venceu! A segunda premissa a ser quebrada é a questão da emoção e do sentimento. Quanto tempo demorará para termos um Roy Batty ao nosso lado?

Pois, bem, dia desse estava andando pelos corredores da Univali quando me deparei com um robô. Um robô de verdade. Ele me olhou, falou o que bem quis, e eu segui caminhando pensando nele e no tempo de juventude onde os robôs eram apenas brinquedos de corda. Lembrei da Rosie, dos Flinstons, do B9, do HAL 9000, do Roy e, principalmente, do Deep Blue, porque sou um aficionado do jogo de xadrez e nunca me conformei com a derrota do genial Kasparov.

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Last Modified: julho 18, 2026

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