Num dia frio de julho resolvi passear pela Praia de Mariscal observando a natureza da região abandonada pelos turistas. Passou bem pouco tempo e um grupo de pescadores formou uma pequena roda na areia da praia visualizando o monitor de um drone que sobrevoa o mar. Cheguei perto para observar do que se tratava e me surpreendi: estavam monitorando um cardume de tainha estacionário próximo ao costão entre Mariscal e Quatro Ilhas. 
Assim que tive oportunidade de conversar com o controlador do drone, perguntei: “Acabou a profissão tradicional do ‘atalaia’. Não precisa mais de vigia, porque o drone vê melhor e não erra, não é mesmo?!” O jovem me respondeu prontamente: “Nada disso. O vigia ainda tem sua parte na pesca da tainha, porque ele sinaliza exatamente onde o cerco deve ocorrer. Tem toda uma tradição de comunicação entre o vigia e o patrão embarcado que possibilita o cerco correto, não deixando a canoa furar o cardume.”
Na verdade, bem sabemos, a atividade do vigia vai perder precedência e status para o operador de drone. O jovem que domina novas tecnologias vai ficar mais importante do que o velho lobo do mar, que tudo sabia e tudo via, firmando-se como os olhos de toda a aldeia de pescadores. O jovem com tecnologia em mãos e o velho com um paletó surrado, este é o cenário. O jovem na praia olhando um monitor digital, o velho de cima de uma pedra movimentando seu paletó para indicar a direção que deve seguir a canoa visando fazer o cerco correto do cardume.
Atualmente não dá de prever se realmente o atalaia vai ter sua atividade extinta. Mas, temos certeza, o jovem e seu drone nunca mais deixarão as aldeias de nossos pescadores de tainha.