BLOG DO MAGRU – quinta – 16 de outubro de 2025

Cipoal aéreo I

Dia desse falei aqui no Blog do Magru sobre os fios que estão abandonados nos postes da cidade fazendo com que o chão seja mais limpo que o céu. Agora, leio no nosso Diarinho que em Balneário Camboriú, desde março, está sendo realizado um mutirão que já retirou dos postes da cidade cerca de 23 toneladas de fios. Uniram forças: Cosip, Celesc, empresas de telefonia, Procon, fiscalização da PMBC, secretarias de Obras e Planejamento, Guarda Municipal.

Cipoal aéreo II

O que me deixa mais ‘encasquetado’ é saber que temos dois vereadores altos funcionários da Celesc e uma bancada governista com maioria plena para aprovar o que bem entender em termos de projetos e pedidos ao Executivo, mas as coisas andam muito devagar por aqui. Como Balneário Camboriú consegue livrar os postes desse cipoal medonho de fios de telefonia e Itajaí fica parecendo uma teia de aranha?

Esquerda e direita I

A próxima eleição vai ser totalmente diferenciada tanto para as forças de direita como para as de esquerda. No espectro ideológico da direita há uma tendência de consolidação de cenário favorável, com a maioria do eleitorado tendendo a votar em um candidato com pauta mais conservadora. Mas, esse ponto forte é também o ponto fraco do grupo, porque vai se apresentar um número maior de candidatos para colher esses votos em campo fértil. Isso significa dizer que o clima na direita será de guerra civil, com o principal adversário abrigado dentro da mesma trincheira. Estima-se que a direita fique com 70% dos votos dos itajaienses.

Esquerda e direita II

No espectro ideológico da esquerda resta trabalhar com um cenário mais tímido, menos ambicioso. Estima-se que a liderança de Lula posso amealhar para os candidatos que o apoiam na governança do País algo próximo de 30% dos votos dos itajaienses. O lado positivo é que esse cenário de força mais fraca leva à tendência de aparecer menos candidatos, concentrando forças em uma ou duas candidaturas no máximo.

Esquerda e direita III

Para deputado estadual a direita conta com muitos nomes: Osmar Teixeira, Anna Carolina Martins, Ana Campagnolo, Agnaldo Hilton dos Santos …  A esquerda vai poder contar com Hilda Deolla ou João Paulo Tavares Bastos, representantes da esquerda moderada. Para deputado federal as coisas parecem mais tranquilas, tendo como principais protagonistas Rubens Angioletti e Jorge Goetten (direita) e Ana Paula Lima (esquerda).

Esquerda e direita IV

Tem tanto candidato à direita que o palanque pode afundar. Até Anna Carolina Martins deverá estar no palanque do governador que busca reeleição. Ela deverá sair do PSDB em direção ao Republicanos ainda esse ano. É o que se comenta à boca miúda pelos becos da cidade. Será que nós vamos poder ver o João Martins no comício do governador Jorginho, tremulando sua bandeirinha no meio da multidão? Imperdível!

Não é draga

Leitor envia mensagem informando que a ‘draga’ que está abandonada no Saco da Fazenda é uma ‘falsa draga’, sendo apenas uma estrutura flutuante da empresa Geotesc. Não teria motor próprio e, portanto, dificilmente teria combustível no seu interior. De qualquer modo ficam as demais observações sobre a integridade física da embarcação.

Busto do Almirante

O colunista e proprietário do jornal digital Sem censura – João Martins – publicou duas notas essa semana discordando da cobrança que fizemos aqui no Blog do Magru sobre a homenagem abandonada ao patrono da Marinha do Brasil – Almirante Tamandaré. Permita-me, amigo João, ‘disconcordar’ da sua linha de argumentação. Quando se decidiu pela homenagem em praça ao Almirante, na verdade, estava promovendo uma homenagem à instituição que o tem como patrono, no caso a Marinha do Brasil. Se ele é herói ou covarde, isso depende de qual narrativa histórica escolhemos. Mas elas não estão no escopo da homenagem. Trata-se, vou repetir, de homenagear um Força Pública com histórico de relevantes serviços à Itajaí. Portanto, na minha avaliação, a homenagem é devida e deve ser concluída.

Tendencioso

Um leitor enviou mensagem destacando o fato do Blog do Magru falar muito mais dos extremistas de direita que dos extremistas de esquerda. Acontece que ele tem razão, mas não tem motivo para reclamar. Vamos dar como exemplo a Câmara de Vereadores. Quantos vereadores podemos qualificar como radicais de esquerda? Contudo, temos três vereadores nitidamente alinhados com o pensamento da ultra-direita. Então, é natural que se fale mais da extrema-direita, porque o protagonismo está com essa força, no cenário político itajaiense. O mesmo vale para o governo municipal. Quantos extremistas de esquerda podemos nominar no governo atual? Vou inventar nomes para agradar ao leitor e dizer que sou neutro, isento ….?

Adeus museu I

Dia desses mostrei aqui no Blog do Magru o abandono que se encontra o prédio da antiga Fiscalização do Porto e a desistência oficial do Instituto Cultural Soto de montar no local o Museu do Porto – por total falta de apoio das instituições públicas. Pior do que isso é saber que Itajaí já desperdiçou diversas oportunidades para ter alguns museus importantes. Lembro que parte do acervo do Museu do Mar, ao ser fechado em Bombinhas, foi oferecido para Itajaí …. mas não deu liga. O Museu Oceanográfico, antes de ir para Piçarras também foi oferecido para Itajaí … mas não deu liga. O Museu do Pallas, com peças do navio afundado na barra do Rio Itajaí, já está oficialmente sendo projetado para Navegantes. E assim segue o que nossas autoridades chamam de ‘vocação natural de Itajaí à atividade turística’.

Adeus museu II

Até eu, um pequeno colecionador, sofri com essa total falta de sensibilidade de nossas autoridades para as coisas da cultura. Ofereci para o Museu Histórico de Itajaí, em um governo passado, objetos pessoais de Odílio Garcia – meu tio – e a resposta que recebi foi simples e direta: ‘Não temos espaço’. Acabei doando para o Instituto Cultural Soto, para integrar o acervo do agora finado Museu do Porto. Mas este acervo acabou indo para Piçarras. A minha coleção composta por 500 livros de História do Brasil acabou sendo doada também para o Instituto Soto e parte dela integra atualmente o acervo bibliográfico de um museu em Florianópolis. Tentei doar para Itajaí … mas não deu liga. Tudo isso, bem sei, são águas passadas e águas passadas não movem moinho. O problema não é remoer o passado, é constatar que a mentalidade de nossos dirigentes não muda, apesar de mudar o governo.

Adeus museu III

O Museu Oceanográfico da Univali em Piçarras era para estar em Itajaí. Agora, passando por grande ampliação, vai se transformar no maior museu de Santa Catarina. Até peças do Titanic ele tem em seu acervo. Enquanto o Museu Oceanográfico cresce de forma exponencial ficamos aqui em Itajaí vendo a roda-gigante girar na ‘Maior festa portuguesa do Brasil’ tomando um chopp e ouvindo música sertaneja ou pagode. E nem podemos acusar o atual governo municipal disso ou daquilo, porque essa mentalidade administrativa vem de sempre. A ‘cidade das praias’ foi superada por Balneário Camboriú e Bombinhas; a ‘maior festa portuguesa do Brasil’ é apenas um parquinho infantil; o Porto de Itajaí foi superado pelo Portonave … mas somos a primeira economia de Santa Catarina. Ufa! Estamos no pódio!

Marketing I

Muitos vereadores da bancada governista (quem não é governista em Itajaí?) já entenderam o principal esquema de marketing político do vereador Victor Nascimento. Ele apresenta projetos vistosos, mas que sabe que são inconstitucionais ou que não vão merecer o voto de seus pares. O que ele quer não é a aprovação dos referidos projetos, mas a divulgação dos mesmos junto ao seu eleitorado mais à direita. Essa semana, por exemplo, Victor apresentou um projeto que, na minha avaliação, é inconstitucional. O projeto ‘Proíbe o uso de símbolos e imagens religiosas cristãs em manifestações públicas de cunho carnavalesco, LGBTQIA+ e congêneres, no âmbito do Município de Itajaí’ estabelecendo multa de até dez mil reais aos infratores que utilizarem peças como: crucifixo, cruz, imagem de Jesus Cristo e santos católicos, bíblia sagrada, ícones relicários, terços e demais objetos litúrgicos ….

Marketing II

Ele deve ter plena consciência de que seu projeto é inconstitucional, porque a parte legítima na defesa desses bens culturais é a Igreja Católica, uma entidade que gira fora da esfera da competência legislativa de nossos vereadores. Mas, mesmo assim, apresenta o projeto para fazer mídia junto ao seu eleitorado. O problema que os seus projetos acabam desgastando os demais vereadores que compõem a bancada governista junto com ele, deixando todo mundo em saia justa com o eleitorado cristão. Essa leitura mais atenta dos projetos de Víctor começou a ser necessária para alguns vereadores desde a aprovação do título de ‘Persona non grata …. ma non troppo’ ao presidente Lula.

Marejada I

A confraria Café de Quinta se reuniu nesta quarta à noite na Marejada, para comer um bolinho de bacalhau e uma sardinha na brasa. Os confrades foram unânimes quanto a avaliação positiva: a festa está muito bem organizada.

Marejada II

Fui pagar uma conta com ‘dinheiro vivo’ e a moça do caixa foi direta: ‘Não recebemos dinheiro aqui’. Alertei a senhora de que o Art. 43 da Lei de Contravenções Penais proíbe a recusa de moeda corrente, sob pena de multa ao estabelecimento comercial. Nada feito, tive de puxar um cartão e engordar a conta dos banqueiros. Essa é a segunda vez que tenho dinheiro vivo recusado este ano. Mas, isso não é novidade, porque já passei pela experiência de ter cheque recusado. O pior, que logo ali na frente, também terei os cartões recusados, porque está ficando muito mais barato e prático para o comerciante trabalhar somente com PIX. Quem não tiver um celular não vai comprar no Brasil. Adeus cheque! Adeus dinheiro! Adeus cartão! Ave PIX !

Aniversário

Nossos parabéns de hoje vão para: Mário César Schneider.

Agenda

* 10 de outubro a 21 de novembro – Galeria de Artes da Univali. Exposição ‘visualizações materializadas’ de Cristilla, victor Lark, Jorge Schroeder, Loraine Oliveira, Olinda Schauffert. Local: Campus de Itajaí – perto da reitoria.

* 02 a 19 de outubro – Centreventos – 36ª Marejada.

* 16 de outubro a 19 de novembro – Casa da Cultura Dide Brandão – 4ª edição da mostra ‘Nossa alma – sob o olhar feminino’. Artistas: Ana Clara de Souza, Mariana Ferret, Oara de jesus, Sarah Uriarte, Violeta Alves.

* 16 de outubro a 10 de novembro – Casa da Cultura Dide Brandão – exposição ‘O peito’ de Flávia Lapa.

* 16 de outubro – Casa da Cultura Dide Brandão – 20 horas – Coral Villa-Lobos. Reserva de convite a partir do dia 14 no Museu Histórico.

* 22 de outubro – Celebração do centenário do Palácio Marcos Konder – 19 horas.

* 25 de outubro a 06 de fevereiro de 2026 – Museu Histórico de Itajaí – exposição de fotos sobre as enchentes no Vale do Itajaí.

 

BLOG DO MAGRU – 15 de outubro de 2025

Draga I

A quem pertence aquela draga que está há muitos anos abandonada no Saco da Fazenda, próxima à Praia do Caminho da Carroça, na Estrada Geral de Cabeçudas? Qual foi a última vez que ela foi vistoriada por algum órgão estatal para ver se contém óleo combustível ou elementos químicos poluentes em seu interior? Mantém sua capacidade de flutuabilidade? Corre o risco de soçobrar ali mesmo, oferecendo riscos à navegação e aos esportes náuticos?

Sucesso I

Está todo mundo lendo o Blog do Magru. Muitos leitores estão conversando comigo sobre o acerto da linha editorial de moderação. Parece que há um consenso de que a fase do radicalismo político já alcançou o seu pico e, agora, começa a efetuar uma curva acentuada em direção inversa. O leitor/eleitorado começa a ficar cansado desse radicalismo que levou o cenário político brasileiro a se tornar bipolar. Eu fico feliz de perceber que o meu leitor está entendendo o nosso objetivo e que aprova a linha moderada, de analisar os fatos à luz da razão e não da paixão partidária.

Sucesso II

Um exemplo dessa moderação analítica está na afirmação de que o Governo Robison se beneficiaria mais com a eleição de Ana Paula Lima a deputada federal do que elegendo o seu vice-prefeito Rubens Angioletti. Um leitor e amigo da imprensa disse pessoalmente que ‘eu viajei na maionese’ e que propus algo ‘utópico’. Tem certa razão. Mas, o radicalismo de direita de Rubens Angioletti vai levá-lo a ser refém da bancada extremista da ultra-direita no Congresso contra o Governo Lula. E, aí, digam meus caros leitores, como ele vai ajudar Itajaí lá em Brasília cuspindo marimbondo pra cima do Governo Lula? Não vão me dizer que atirando pedra ele espera colher verbas federais para Itajaí?

Sucesso III

Então é isso, a minha moderação passa por ser extremamente realista. Não vale o que os políticos querem passar aos seus eleitores, vale a realidade crua como ela é. Eu trabalho há quase 50 anos na imprensa de Itajaí e conheço os bastidores do Congresso Nacional porque também trabalhei lá por um ano. Por experiência própria posso garantir: quem joga pedra no Governo Federal não vai colher verba federal. Na política o sistema é outro, conhecido por ‘toma lá, dá cá’ ou algo do gênero. Como deputado federal o Rubens Angioletti vai ter de escolher entre fazer parte da bancada radical de direita de oposição ao Governo Federal ou ajudar Itajaí com a conquista de verbas públicas para projetos de grande porte, como são os casos da Hidrovia dos rios Itajaí e Itajaí-Açu; túnel entre Itajaí e Navegantes; binário da BR-101; Via Portuária ….

Candidaturas I

Agora é tempo de aparecer os primeiros ensaios de candidaturas a deputado federal e estadual. Muitos nomes já se apresentaram em balões-de-ensaio. Uns continuam firmes, outros nem conseguiram decolar. Nesse sentido, conversei no dia de ontem com dois vereadores, possivelmente candidatos: Vanderley Dalmolim e Hilda Deolla. Vanderley me garantiu que não será candidato, apoiando Carlos Chiodini para deputado federal e Carlos Alberto (Balneário Camboriú) para deputado estadual – mesmo não sendo de seu partido, mas amigo fraterno.

Candidaturas II

Hilda Deola não descartou sua candidatura a deputada estadual. Segundo garantiu, está esperando a realização de uma reunião entre ela, João Paulo Tavares Bastos e Ana Paula Lima. Essa reunião foi adiada por conta do imbróglio que João Paulo está tentando resolver em Brasília como Superintendente do Porto de Itajaí. Provavelmente essa reunião, para definir as estratégias de campanha da oposição em Itajaí, poderá ocorrer ainda na semana que vem.

Guerra civil I

Dia desses afirmei aqui no Blog do Magru que a Secretaria de Educação estava em clima de guerra civil. Nessa terça-feira o prefeito Robison Coelho foi até a Secretaria e demitiu os dois principais protagonistas beligerantes: Silvano Amaro e Ken Ichi, respectivamente secretário e diretor-geral. Mas, permita-me ‘disconcordar’ do prefeito, porque essa medida extrema não resolve o problema. A questão é que o prefeito ainda não percebeu que está querendo inventar a roda. Em um português mais direto, diria que está querendo complicar o que é simples. Faça o que fez na Secretaria de Obras. Essas duas secretarias possuem DNAs gêmeos porque possuem nomes consensuais. Se Robison acertou em chamar o Tarcísio para as Obras, por que insiste em inventar a roda na Secretaria da Educação?

Guerra civil II

Um leitor me falou no pé do ouvido que o Robison vive um dilema, já que o nome consensual para ocupar o cargo na Secretaria tem vínculos familiares com ele. Mas, vamos combinar, ex é ex. Ex é um prefixo latino que significa exatamente algo que já foi, mas não é mais. Então não existe dilema nenhum, nomeia e a roda vai girar ao natural.

Forte ou fraco?

Tem gente fazendo uma análise errada sobre a puxada de tapete que tentaram dar no João Paulo na Superintendência do Porto de Itajaí. Acham que João Paulo sairá tão desgastado e fraco politicamente do cargo que sequer terá condições de ser candidato a deputado estadual em dobradinha com Ana Paula Lima. Eu analiso diferente. João Paulo foi esvaziado no cargo porque defendeu um interesse da sociedade itajaiense: não permitir o desembarque de cargas tóxicas e sujas no Porto de Itajaí. Sabendo usar essa informação politicamente ele sai extremamente fortalecido de todo o processo.

Chega

A Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Itajaí tem de parar de empurrar com a barriga um velho problema que a Casa enfrenta durante suas sessões. A interferência externa de duas figuras completamente inconvenientes que participam das reuniões berrando o tempo todo. Dizem que não podem intervir porque ali é a ‘Casa do Povo’. ‘disconcordo’ plenamente. Ali é a casa do povo, mas, contudo, todavia, porém …. a ninguém é permitido ofender e atrapalhar o trabalho legislativo e até colocar o Poder Legislativo em um ambiente de picadeiro. Nessa terça-feira, por exemplo, uma vereadora foi chamada de bruxa e tribufu. Quem vai colocar ordem na casa?

Barrados no baile

Pelo menos três vereadores de Itajaí tiveram sérios problemas para participarem do evento de lançamento da Frente Parlamentar da Economia do Mar no Elume Park. Primeiro por uma questão burocrática de cadastramento antecipado por via digital. Resolvido o problema, apenas foi autorizada a entrada do parlamentar sem a devida assessoria. Depois, veio a questão dos trajes permitidos. Não podiam entrar quem estivesse sem sapatos (com sandálias ….) ou camisas com mangas curtas. O problema que nada disso foi avisado com a devida antecedência. Um vereador pegou uma blusa emprestada do assessor e seguiu em frente. Outro preferiu voltar para casa …. ‘deixa pra lá’ se conformou o representante do povo peixeiro.

Aniversário

Nossos parabéns de hoje vão para o amigo: Hélio José Hess.

Agenda

* 10 de outubro a 21 de novembro – Galeria de Artes da Univali. Exposição ‘visualizações materizalizadas’ de Cristilla, victor Lark, Jorge Schroeder, Loraine Oliveira, Olinda Schauffert. Local: Campus de Itajaí – perto da reitoria.

* 02 a 19 de outubro – Centreventos – 36ª Marejada.

16 de outubro a 19 de novembro – Casa da Cultura Dide Brandão – 4ª edição da mostra ‘Nossa alma – sob o olhar feminino’. Artistas: Ana Clara de Souza, Mariana Ferret, Oara de jesus, Sarah Uriarte, Violeta Alves.

* 16 de outubro a 10 de novembro – Casa da Cultura Dide Brandão – exposição ‘O peito’ de Flávia Lapa.

*16 de outubro – Casa da Cultura Dide Brandão – 20 horas – Coral Villa-Lobos. Reserva de convite a partir do dia 14 no Museu Histórico.

*25 de outubro a 06 de fevereiro de 2026 – Museu Histórico de Itajaí – exposição de fotos sobre as enchentes no Vale do Itajaí.

BLOG DO MAGRU – 07 de outubro de 2025

Marejada

Fui na Marejada neste domingo passado e sinceramente … fiquei com saudade daquelas animadas festinhas juninas que os colégios e os padres faziam nos arraias de Itajaí nos tempos de antanho. Eu nasci no São João e me acostumei com a festa junina cheirando a pinhão. Agora, na Marejada o que temos é um parque de diversões rodeado de barracas de chopp e comidas cheirando a pastel de feira. O preço de tudo é alto, fazendo com que a festa fique mais acessível à classe média. Se eu tivesse um filho ou neto de até dez anos de idade, passaria o final de semana lá no parquinho.

Cartas embaralhadas

Até agora o cenário político-eleitoral de 2026 apresenta as cartas bem embaralhadas, notadamente na eleição para deputado estadual. O Governo Robson tem duas candidatas fortes: Ana Carolina Martins e Ana Campagnolo. Mas, acontece que o ex-candidato a prefeito, Osmar Teixeira, parece decidido a mudar de palanque e aderir ao grupo do governador Jorginho Mello. Seriam três candidatos fortes no mesmo palanque. Isso significa dizer que os três disputarão o mesmo voto. Vai sair faísca!

Federal?

A maior surpresa política até aqui partiu do vice-prefeito Rubens Angioletti que aceitou fazer dobradinha com Ana Campagnolo, saindo como candidato a deputado federal. Todos nós sabemos que o caminho natural de Rubens era uma candidatura a deputado estadual. Ele abriu mão dessa candidatura natural porque Ana Campagnolo prometeu estar com ele em 100 municípios catarinenses. Sinceramente? Fica muito difícil para ela entregar essa duplicata eleitoral paga. O que resta para Rubens é torcer para que não surja outro candidato a deputado federal com expressão eleitoral forte aqui em Itajaí e região. Por enquanto ele está nadando sozinho e de braçada.

Estrelas

As estrelas das próximas eleições no espectro ideológico da direita já estão em campanha: Ana Campagnolo, Osmar Teixeira, Rubens Angioletti. No Centro temos Ana Carolina Martins. Falta definir os candidatos da esquerda. Podemos esperar uma candidatura a deputado estadual de João Paulo Tavares Bastos em dobradinha com Ana Paula Lima a deputada federal.

Mais um

Parece que o presidente do Sindipi, Agnaldo Hilton dos Santos, está querendo se lançar candidato a deputado estadual pelo setor pesqueiro catarinense. Vai entrar numa fria porque os empresários do setor nunca se articularam politicamente a ponto de terem poder de eleger um representante puro do setor. Eu trabalhei oito anos na assessoria de imprensa do Sindipi e tive oportunidade de observar como o empresariado pensa. O Agnaldo vai contar com muitas promessas, mas a duplicada vai ser levada a cartório.

Pai e filha

O advogado João Martins voltou com o seu insuperável SEM CENSURA. Não obstante sua filha, Ana Carolina Martins, participar do alto escalão do Governo Robson, João Martins continua polêmico como sempre: dispara até quando está dormindo. Isso é muito bom para o Governo, para ele e para a Ana. Hummmmm!? Acontece que esse choque de posições (Ana situação e João oposição), ajuda o Governo a se alinhar com a Ana, sem ter de carregar o peso do pai. Por outro lado, ajuda também a Ana Caroli

na, enquanto candidata a deputada estadual, porque dissocia um pouco a sua imagem pessoal da imagem do próprio pai – sempre tido como um político mais radical, com feição ideológica mais à esquerda. Isso é importante para ela como candidata a deputada estadual porque o voto em Itajaí é majoritariamente de direita moderada.

Sem opção

Na verdade, a bandeira dos EUA em substituição à bandeira do Brasil na Avenida Paulista só refletiu o dilema retórico que a direita vive em nosso país. Acontece que a direita tinha nos militares sua principal pilastra de opoio institucional. Sempre que a direita queria afrontar a esquerda pedia ‘intervenção militar constitucional’ (leia-se golpe de Estado). Mas, dessa vez, o golpe não foi possível e a direita ficou perdida no meio da rua. Sobrou olhar para o norte e pedir ajuda aos Estados Unidos, sacrificando seu discurso de patriotismo. Usou daquela velha política de perder os anéis para não perder os dedos. Não deu certo. Perdeu anéis e dedos.

Destaque

O professor e historiador Edison d’Ávila está fazendo bom uso de sua aposentadoria. Somente neste mês de outubro estará promovendo duas palestras sobre temas históricos. Aqui em Itajaí ele irá proferir palestra na Câmara de Vereadores no dia 20 de outubro, às 19 horas, no Plenário Vereador Arno Cugnier, sobre o tema ‘Poder Legislativo de Itajaí – instalação

e protagonismo – 1850 – 2025”. Em Florianópolis, participa do evento ‘Diálogos sobre a Revolução Federalista’ no auditório do Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Souza, no dia 11 de outubro, às 10 horas. Edison orgulha os itajaienses com seu destaque em nível estadual.

Adeus e tchau! (I)

Dia desses um pessoal radical não gostou nada de nadinha quando falei – no meu perfil do Facebook – que Caetano-Gil-Paulinho da Viola-Chico eram meus ídolos e que eles marcaram um golaço de cidadania ao participarem das manifestações contra a PEC DA IMPUNIDADE. Pelo menos cinco ‘seguidores’ deixaram de me ‘seguir’. Medida anunciada por eles como represália por eu pensar favorável aos artistas. Acontece que no mesmo prazo que os cinco me abandonaram na Internet, podem acreditar, mais de vinte outros vieram pedir minha amizade digital. Então, pelas contas, ficou vinte a cinco. Deu lucro contrariar os radicais de direita.

Adeus e tchau! (II)

Um ‘seguidor’ que me abandonou falou textualmente ‘Acabas de perder um seguidor’. Eu respondi: “E você acaba de perder a oportunidade de ler uma pessoa que democraticamente pensa diferente de você.” Outro ‘seguidor’ foi mais enfático ao dizer: “Pensei que você fosse um pouco mais inteligente”. Eu, não ia responder, mas acabei respondendo no privado: “Se ser mais inteligente é concordar apenas com o que você pensa … realmente você tem motivos para se decepcionar comigo.” E assim segue nossa vida na Internet. Mania de querer impor aos outros as suas ideias…

Blog do Magru – 06 de outubro de 2025 – apresentação

A terceira via de fato

Estamos iniciando um novo trabalho aqui no nosso prestigiado Diarinho. A nossa proposta é promover a discussão sadia sobre temas de relevância para a nossa comunidade, com ênfase nos setores de POLÍTICA e CULTURA. 

Vamos buscar elaborar um contraponto entre os dois principais colunistas políticos atualmente em atividade no Município de Itajaí: JC  (Diarinho) e João Martins (Sem Censura).  O tom do Blog do Magru será mais informativo e analítico, deixando de lado julgamentos e sermões pra cima dos políticos. 

Como todo mundo sabe não existe a menor possibilidade de um conteúdo jornalístico ser NEUTRO. Portanto, vou deixar aqui, no texto de apresentação, as linhas centrais do meu arcabouço ideológico:

1 – sou um pensador de centro-esquerda – o que significa dizer que aceito os conceitos da ESQUERDA DEMOCRÁTICA. Uma linha moderada defendida por pessoas que acreditam que a SOLIDARIEDADE deve prevalecer sobre o EGOÍSMO; o BEM COMUM deve prevalecer sobre a GANÂNCIA INDIVIDUAL; o PÚBLICO tem prioridade sobre o PARTICULAR.

2 – sou contra regimes ditatoriais de esquerda e direita. Luto a favor da moderação democrática e contra o radicalismo.

3 – ofender, caluniar, difamar, mentir, promover fake news … não é liberdade de expressão.

4 – o texto ideal é aquele que consegue ouvir os dois lados envolvidos em uma determinada questão. Por isso deixo aqui o whatsApp: (47) 99215 – 1842 e o email: magrufloriano2008@gmail.com. 

5 – não tenho político de estimação ou filiação a partido político e grupos organizados. 

6 – a vida particular do agente público não me interessa e não deve ser conteúdo  utilizado neste blog.

7 – o agente que traz para o setor público a sua vida particular tem de saber que é ele que está misturando o PÚBLICO e o PRIVADO e, portanto, tem de arcar com as consequências da crítica oriunda daqueles que defendem o interesse público. Afinal, ele transformou sua vida particular em algo de interesse público.

8 – toda contribuição dos leitores na seção de comentários é bem-vinda, desde que utilize termos próprios, não ofensivos à honra de outras pessoas envolvidas. 

ESPERO CONTAR COM A LEITURA DIÁRIA DE TODOS.

A cracolândia digital

Magru Floriano*

Após a pandemia da Covid (2019-2023) o mundo mergulhou em definitivo na Era da Tecnologia Absoluta com a utilização desenfreada da IA – Inteligência Artificial. O ambiente da Internet ficou ainda mais sofisticado e a relação homem – máquina ganhou novos desdobramentos. Como toda mudança social e tecnológica os benefícios e malefícios são fáceis de enumerar. Contudo, consideramos que os pontos positivos são muito mais interessantes do que os negativos, mas estes, em sua qualidade e extensão, impõem grandes prejuízos ao desenvolvimento da humanidade na sua caminhada história em busca da felicidade.

Um desses danos é a notória ascensão de uma nova classe de ‘intelectuais imbecis’ que conhecemos usualmente como influencers. Gente que não estuda, não aprende, não tem compromisso com a ética e se dá muito bem financeiramente por influenciar milhões de pessoas nas redes sociais. Não que o fenômeno da imbecilidade notória seja algo completamente novo. O dramaturgo Nelson Rodrigues, antes do advento da Internet, sentenciou: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.

Umberto Eco, pensador da era da Internet, seguiu a mesma linha de Nelson Rodrigues ao sentenciar: “A Internet deu voz a uma legião de imbecis. Estes idiotas ganharam o mesmo espaço de um Prêmio Nobel.” O economista e intelectual brasileiro Eduardo Giannetti qualificou esse movimento na Internet, notadamente através das redes sociais, de ‘Cracolândia digital’. Como sabemos, a Cracolândia é um espaço público em São Paulo – capital – onde usuários de drogas vivem como zumbis, à margem da sociedade produtiva.

Aqui, parece fundamental conceituar o imbecil. No nosso entendimento a imbecilidade é uma qualificação da ignorância. Podemos considerar como ignorante aquela pessoa que não sabe, não tem conhecimento. E, algumas pessoas entre estas, conhecidas como influencers, utilizam de expedientes sensacionalistas ou produzindo fake news … somente para ganhar visualizações e seguidores, tendo orgulho de sua própria ignorância ao transformar o espaço cibernético em caos e barbárie. Esse orgulho se sustenta por uma evidência: seu sucesso social e econômico.

Acontece que o influencer acaba sendo um emblema, um padrão, uma referência para toda uma geração de usuários das redes sociais e, como já dizia Confúcio: “A palavra convence, mas o exemplo arrasta“. Começa a virar normal a pessoa menosprezar o estudo e fazer carreira solo como intelectual de Internet. Entra em diversos grupos de discussão, principalmente sobre política e costumes, e passa a liberar sobre tudo com ares de doutor. No passo seguinte, ele seleciona os usuários entre os que concordam com suas ideias e aqueles que não concordam com suas ideias. Mais um passo a frente, os usuários ‘amigos’ do segundo grupo (discordantes) começam a ser deletados do grupo de discussão, dando início a uma ‘bolha digital’.

A ‘bolha digital’ começa a funcionar por mecanismo idêntico a uma câmara de eco, confirmando um ambiente entrópico. As informações começam a formar um padrão na medida que o espírito contraditório começa a ser censurado e descartado. O usuário que não reproduz o discurso-padrão do grupo acaba perdendo status e vai migrando para a periferia de forma gradual até anular por completo sua sensação de pertencimento. A reprodução de palavras-chave e conceitos ideologicamente articulados formam uma ‘barreira algorítmica’, através de mecanismo de reprodução (eco dentro da bolha).

Um exemplo desse algoritmo seria a palavra ‘bananinha’, para a bolha da esquerda, como sinônimo de Eduardo Bolsonaro; e de ‘ladrão de nove dedos’, para a bolha da direita, como sinônimo de Lula. Obviamente que quem reproduz sistematicamente um desses termos está fadado a cair em uma ‘malha fina’ dos mecanismos que formam a barreira algorítmica. A partir daí pode receber mais ou menos mensagens de igual teor, dependendo das conveniências de cada emissor. Está formada a bolha.

Como um dos padrões reconhecidos como indicador de sucesso na rede social é a quantidade de ‘amigos’ e ‘seguidores’, nos últimos tempos tem ocorrido dos dissidentes receberem cada vez mais mensagens com ameaças do seguinte tipo: ‘perdeu um seguidor’, ‘depois do que falou deixei de te seguir’. Isto é, o usuário resolve punir o seu interlocutor por não ter encontrado em suas palavras o conteúdo esperado. Está dentro de uma bolha e não consegue mais conviver com o contraditório e resolve punir o infrator com a perda de um seguidor. ‘Seguir’, portanto, começou a ser visto como moeda, como valor digital. Ter seguidor é evidência de sucesso. Perder seguidor é ‘pena capital’.

O Intelectual de Internet demonstra claramente que sabe ler, mas não sabe interpretar o texto que lê. Tem mais, demonstra pressa em reproduzir e responder, dedicando pouco tempo a prestar atenção no conteúdo em discussão. Ouve apenas para responder e não para entender a fala de seu interlocutor.  Sempre está em busca do ‘viés de confirmação’ e para obtê-lo considera razoável utilizar recursos que atentam contra a lógica e a dialética. Os conteúdos que encontramos nessas argumentações enviesadas estão cheios da lógica ‘um erro justifica o outro’ e, também, exemplos comparando fatos históricos completamente diferenciados ou colocados fora de contexto.

Um bom exemplo desse tipo de argumentação enviesada encontramos quando do debate sobre a anistia a ser concedida ao grupo que atentou contra a democracia brasileira no oito de janeiro de 2023. Quando os artistas Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso e Paulinho da Viola, subiram em um carro de som na Praia de Copacabana para criticar a anistia, em setembro de 2025, seus oponentes, ato contínuo, argumentaram que eles estavam sendo incoerentes, já que foram beneficiados por anistia política anos antes. Ora, acontece que há uma diferença muito grande entre estas duas anistias. No primeiro caso, Chico e Caetano foram condenados pela ditadura por lutar pela democracia; enquanto Bolsonaro e seus generais foram condenados pela democracia por pretenderem instaurar a ditadura. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” sentencia o dito popular.

O problema maior é que não há como manter um diálogo saudável com um usuário que está confortavelmente instalado dentro de uma bolha digital. A Câmera de Eco é um lugar confortável, socialmente agradável e prazeroso. Em nome da nossa saúde mental, então, resta, reduzir o tempo gasto nestas redes ao mínimo necessário. Não é o caso de sair em definitivo delas, para não se tornar, em plena Era da Tecnologia Absoluta, um Robinson Cruzoé digital.

 

*Magru Floriano é historiador e professor universitário aposentado.

Gente que foge das páginas dos livros para ficar ao nosso lado

Muitos personagens são tão impactantes em nossas vidas que eles passam a habitar nosso dia a dia, como se fossem nossos amigos ou pessoas com as quais temos a obrigação de nos relacionar por imposições sociais. Alguns personagens passam a servir de paradigma, referência para tudo que vemos e analisamos. Clubin, protagonista do livro Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, por exemplo, sempre me serviu de referência para duvidar das boas intenções de algumas pessoas de aparente honestidade. Rei Lear, de Shakespeare, me ajuda a perceber que algumas pessoas envelhecem sem se tornarem sábias; enquanto Iago, do livro Otelo, também de Shakespeare, mostra que a maldade humana não tem fim. Mas, nenhum personagem me ajudou tanto a refletir sobre mim mesmo que Jean Valjean, protagonista de Os miseráveis,  de Victor Hugo.

Essa convivência diária que tenho com Jean Valjean, como se fosse uma pessoa viva que está ao meu lado me orientando, deve-se à minha decisão de combater uma lógica mental que carrego há muito comigo. A lógica de ser muito severo na minha autocrítica e estar sempre me condenando, me criticando, acentuando meus deslizes, erros e defeitos. Por um caminho mental que não sei explicar, agora, sempre que fico buscando fragmentos de coisas supostamente erradas que fiz, coloco Jean Valjean como referência e digo pra mim mesmo: “Não seja tão severo consigo mesmo. Não seja um Valjean. Não se puna eternamente.”

Esta postura extremamente autocrítica está sintetizada em uma frase de Goethe: “É muito raro que a gente se satisfaça a si mesmo; é mais doce ter satisfeito os outros. Quando olhamos nossa vida passada, ella parece-nos toda fragmentada, porque nossas negligências, nossos revezes se apresentam sempre em primeiro lugar ao nosso espírito e levam vantagem, na imaginação, sobre nossos trabalhos e nossos sucessos”.

A minha filosofia de vida está mais embasada em personagens fictícias – que saíram das páginas dos livros para viverem comigo o meu dia a dia – que em livros de Filosofia propriamente dito. Claro que A Ética para Nicômaco, de Aristóteles, tem seu peso em tudo o que penso e faço, assim como as obras de Sêneca, Nietzsche, David Henry Thoreau, Jean-Jacques Rousseau … mas, o Sidarta, de Herman Hesse e, também, Alberto Caeiro e seu O guardador de rebanhos [Fernando Pessoa] são pessoas vivas dentro de mim. Amigos que ajudam a deixar a minha vida mais leve, por possibilitar uma compreensão do meu lado humano e imperfeito, pedindo menos coisas da vida em troca de mais vida. Ter uma vida mais intensa, sendo simples.

Thoreau, Hesse, Fernando Pessoa, Valjean, Sêneca, Aristóteles … todos saíram das páginas dos livros para me habitar. Assim, estou sempre rodeado de bons amigos… e, se alguém me encontrar por aí falando, aparentemente, comigo mesmo, lembre-se que nunca estou só quando estou só, porque tenho o privilégio de ter sempre um Hamlet com quem conversar. [magrufloriano2008@gmail.com.br]

O Ocaso de uma era ou Ditadura do consenso

Uma árvore tombada em plena avenida Marcos Konder nos fornece a imagem emblemática de um governo que experimenta o seu ocaso. Mais que um governo, uma era se finda. Com o término do terceiro Governo Morastoni termina o cenário ocupado por figuras políticas do Pós-64, tempo histórico iniciado com a eleição de 1982 e a volta do pluripartidarismo. No dia primeiro de janeiro de 2025, teremos um prefeito – e muitos elementos de su

Árvore cortada na Avenida Marcos Konder em novembro de 2024

a equipe de governo – oriundo de uma geração que não sofreu o peso da botina de 64 e 68. Robison Coelho, Rubens Angioletti, Níkolas Reis, Anna Carolina Martins … eis o novo em Itajaí. Um novo completamente refém de ideologia única. Um novo que já nasceu velho, refém do extremismo de direita. Uma onda mundial, gigantesca e avassaladora que, em Itajaí, não deixou pedra sobre pedra no castelo ideológico da esquerda. Cenário de protagonismo uniforme, uníssono, que comporta discurso único e padronizado.

De certa forma estamos vivendo uma ditadura da mesma intensidade daquela que experimentamos em 64 e 68. A única diferença é que o povo está elegendo uma massa de políticos de direita e ultradireita. O povo está retirando do cenário a esquerda e suas variações ideológicas do centro à extrema. Então é uma ditadura desejada, consentida. Essa ditadura sem golpe está sendo sustentada eleitoralmente pelos erros grosseiros e reincidentes da esquerda. Tantos são esses erros que sobrou para toda a esquerda brasileira apenas um nome: Luis Inácio da Silva. O presidente, contudo, já demonstrou na última eleição que não pode mais contar apenas com o voto da esquerda e há muito namora com grupos de centro direita. Sobraram a direita e uma versão light de Lula.

Como pensador inorgânico, pacifista, democrata, comprometido com a vida de todos os seres indistintamente … nada espero do futuro imediato tendo essa gente no comando. Se Volnei Morastoni foi uma decepção política, a nova era e sua ‘juventude senil’ não tem essa potencialidade de me decepcionar. Isto porque, nada espero dessa juventude que nasceu embrulhada em ideias velhas, ultrapassadas, que está conduzindo a humanidade e nosso planeta ao desequilíbrio total e irreversível.

A ÁRVORE TOMBADA EM PLENA AVENIDA CENTRAL DE ITAJAÍ É O EMBLEMA DE UM OCASO …. nuvens negras pairam sobre o palácio símbolo do poder republicano em Itajaí.,, e, eu, temo estar falando sozinho ao pedir moderação, equilíbrio, alteridade, compaixão, fraternidade … [Magru Floriano].

Cerimônia fúnebre e mudança de comportamento

Determinadas mudanças ocorrem de maneira tão visível que qualquer pessoa pode perceber a diferença sem grande esforço. A substituição do telefone fixo pelo móvel (celular), da máquina de escrever pelo computador, o sumiço dos jornais impressos, a quantidade de carros nas ruas … são alguns dos exemplos que podemos apresentar para atestar estas mudanças que todos percebem. Contudo, nossa sociedade também está passando por muitas mudanças que não são tão visíveis assim, pelo menos aos olhos daqueles menos acostumados a parar para pensar sobre o seu processo de desenvolvimento.

Por muitos anos nos acostumamos a ler textos filosóficos e sociológicos denunciando que a modernidade trocou o ‘ser’ pelo ‘ter’, tornando o ser humano mais materialista e egoísta. Por muitos e muitos anos, notadamente com o advento do capitalismo e a sociedade industrial, a crítica do modelo ‘time is money’ tomou conta das mentalidades que visavam à desconstrução desta mesma modernidade.

Contudo, agora, o que percebemos é um movimento muito interessante onde o ‘ter’ dá lugar ao ‘ver’. Quando todos esperavam que a humanidade poderia dar um passo para trás e voltar seus valores novamente ao ‘ser’, eis que surge uma nova geração de pessoas dando um passo à frente – seria em direção ao abismo? – instituindo o império total do ‘ver’ sobre o ‘ter’ e o ‘ser’. Nesse novo arcabouço de valores comunitários o que temos é uma lógica muito parecida com a lógica anterior. Se antes tínhamos a ideia de que nada valia a pena se não gerasse valor, riqueza, dinheiro; agora, temos a ideia central de que nada vale a pensa se não gera uma imagem que possa ser compartilhada nas redes sociais ou nas diversas plataformas digitais, como é o caso do Youtube.

Um exemplo claro dessa nova mentalidade coletiva está nas cerimônias fúnebres. Cada vez menos pessoas se propõem a comparecer às cerimônias fúnebres. Não que a pessoa morta seja desprezada socialmente ou não tenha amealhado uma boa quantidade de amigos e admiradores em vida. Não! Ninguém se interessa em participar de cerimônias fúnebres porque elas, devido nossa cultura cristã de respeito aos mortos, não cria um ambiente de espetáculo mediático digital. Não é prudente e aconselhável gravar vídeos e fazer ‘selfie’ em um ambiente como a capela mortuária ou um cemitério.

Fosse no tempo antigo, a cidade parava diante do féretro de um empreendedor como Edison Villela, ocorrido em setembro de 2024. Mas, o que vimos foram algumas pessoas dando depoimentos frios e aleatórios sobre sua contribuição ao desenvolvimento da cidade de Itajaí e ao ensino superior do Estado de Santa Catarina. Depoimentos isolados, conversas isoladas, discursos isolados …. e Edison Villela passou à história. O mesmo aconteceu com sua assessora, que morreu dias antes, professora e escritora Rosa de Lourdes Vieira e Silva. Já estou ficando acostumado a ir nesses eventos e ver no local uma dezena de pessoas, geralmente aparentados e amigos muito próximos.

No mundo do ‘ver’ o ‘time is money’ foi substituído pelo ‘olha eu aqui’. Por essa nova visão de ver as coisas do mundo incorpora-se uma nova escala de valores de forma que até o dinheiro é subestimado diante da possibilidade real de se tirar uma boa foto ou gravar alguns segundos de vídeo. Podemos gastar horas e dias, viajar para outros países, gastar dinheiro para comprar algo inusitado e desejado por muitos … para simplesmente bater uma foto e anunciar nas redes sociais: ‘Olhem eu aqui!’ Nessa nova concepção de mundo Paris é apenas uma foto, assim como o carro novo, a cerimônia de casamento, o aniversário surpresa do melhor amigo … menos a cerimônia fúnebre, esta, para arrepio dos arautos do mundo do ‘ver’ ainda resiste, permanecendo no mundo do ‘ser’ e sua finitude. [Magru Floriano]

Educação à distância

LÁ NO INÍCIO

Considero que fui um dos primeiros acadêmicos de Itajaí a frequentar um curso internacional por via digital. Isso ocorreu no ano de 1998 quando cursava mestrado na FURB – Fundação Universidade Regional de Blumenau. A entidade promoveu convênio com a Lund Univerty Sweden – que mantinha o projeto experimental de ensino à distância por plataforma eletrônica intitulada ‘Universidade Virtual Latinoamericana’.  Por dois meses participei do seminário à distância ‘New Tecnologies and Pedagogical Challenges’. A principal ferramenta era o email. Recebíamos textos na nossa caixa de correspondência e tínhamos um prazo para realizar determinas tarefas. Também fazíamos discussões em grupo promovido nos ambientes do mestrado da Furb. O tema principal era justamente como estaríamos nos preparando para educar utilizando as novas ferramentas digitais.

NOS DIAS ATUAIS

O tempo passou, agora, aposentado, estou percebendo que aquilo que discutíamos em 1998 como sendo o futuro da educação já se tornou obsoleto, passado. A tecnologia avançou muito mais rápido e de forma muito mais intensa do que podíamos prever naquele momento. Nesse período – 1998 a 2014 – ocorreu uma verdadeira tempestade tecnologia na educação. Para ter uma base de referência dessa mudança basta promover uma rápida visita à escola piloto que o SESI montou em Itajaí. Os alunos estão sendo envolvidos por um projeto pedagógico que visa, sobretudo, a inserção no mercado de trabalho – filosofia que está na essência do sistema educacional Sesi. Ali, vi poucas salas de aula e muitos laboratórios de informática. Os alunos constroem robôs, trabalham com impressoras 3D e, frequentam alunas intensivas de programação digital.

Bem, voltando à minha experiência pessoal, eu adquiri pela Internet em 2023 um curso intitulado Chessflix onde, simplesmente, passei a ter aulas em casa com diversos grandes mestres de xadrez brasileiros: Evandro Barbosa, Luiz Paulo Supi, Júlia Alboredo e Henrique Mecking. Antes da Internet, para ter aulas nesse nível teria de me deslocar semanalmente para Curitiba ou São Paulo, pagar hotel, ter agenda mais flexível durante toda a semana, sem falar no alto custo da logística e do próprio curso. Agora, fico na minha casa podendo economizar com transporte, hotel, alimentação fora de casa; escolho horário, quantidade de horas estudadas, nível de aprendizado; posso repetir quantas vezes considerar necessário uma determinada aula …

Em agosto de 2024 resolvi comprar pela Internet um curso de filosofia. Ao preço de duzentos reais, estou frequentando pela plataforma HotMart o curso ‘Demasiado humano’ sobre as ideias do filósofo Friedrich Nietzsche. Só a primeira aula introdutória vale um seminário presencial inteiro que poderia frequentar nos grandes centros do Brasil ao custo de milhares de reais, considerando inscrição, transporte, hotel, alimentação …

DIGITAL VERSUS PRESENCIAL

Aqui cabe uma ressalva: é claro que eu estou disposto a conhecer pessoalmente toda essa gente que está na Internet me dando aula. Se essas pessoas estiverem por perto, vou atrás delas, ouvi-las pessoalmente, conhece-las em carne e osso, apertar suas mãos e dizer simplesmente – Parabéns, mestres! [Magru Floriano]

Tecnologia da educação: aprendendo xadrez sem sair de casa

Há muito que temos boa parte do conhecimento produzido pela humanidade na ponta de nossos dedos através dos dispositivos eletrônicos que nos oferece a Era Digital. Muitos desses mecanismos nos levaram, em um primeiro momento, pensar que a grande conquista a ser alcançada no setor educacional seria tão-somente o ‘ensino à distância’ em tempo real na comunicação educador-educando. Mas, agora em 2024, percebemos que a tecnologia nos levou muito além. Tudo, absolutamente tudo, está à nossa disposição em qualquer lugar e hora. Podemos aproveitar o tempo perdido na sala de espera de um consultório médico para estudar sobre um determinado assunto ou acompanhar os últimos acontecimentos mundiais via sites noticiosos. O conhecimento está disponível, em tempo real, seja qual for o local ou circunstância que a pessoa esteja envolvida. Eis a grande revolução.

No final de 2023 eu adquiri um ‘Curso de xadrez’ pela plataforma ‘Chessflix’ passando a aprofundar minha base de conhecimento sobre o jogo de xadrez em casa, contando com o apoio de diversos Grandes Mestres, alguns GM Internacionais. Ter aula em casa com enxadristas graduados como Evandro Barbosa, Luis Paulo Supi, Roberto Molina, Júlia Alboredo … é algo inacreditável. Primeiro, porque o custo de um curso presencial individual com um desses mestres deveria ter um preço quase que inacessível; segundo porque eu posso escolher onde e quando vou estudar; terceiro, posso refazer quantas vezes quiser a aula sem qualquer custo adicional e sem perda de qualidade; quarto, posso parar a transmissão da aula para promover, com calma, minhas anotações de aprendizado; quinto, tenho a opção de estudar por níveis diferenciados de conhecimento, facilidade didática extraordinária que auxilia em todo o processo de aprendizagem. Você pode escolher ‘Partindo do zero’ e ir subindo de categoria até chegar ao nível ‘A trilha dos 2000+’.

A verdade é que eu estou em minha casa estudando com os GMs Evandro Barbosa e Supi como fazer uma boa abertura no jogo de xadrez, e, isso, sinceramente, é algo gigantesco. Não precisei sair de casa, a mensalidade é muito menor do que deveria ser no ensino presencial. Sem falar que para ter aula diária com um GM Internacional, aqui em Itajaí – Santa Catarina, seria praticamente impossível. Mas, eu estou em Itajaí e tenho aulas diárias com diversos GMs e devo isso ao uso das tecnologias da Era Digital. Ficou muito mais fácil e barato estudar. O conhecimento está disponível em diversas plataformas – algumas pagas, outras gratuitas – e os obstáculos para a aprendizagem estão praticamente se dissolvendo no ar. Principalmente agora, no Brasil, que todos os cidadãos possuem celular – isso ocorreu com a implantação do PIX e a transferência para a plataforma digital do pagamento de ‘bolsas sociais’ por parte do Governo Federal, a partir do ano de 2020, fazendo sumir o dinheiro físico.

Depois, de estudar na plataforma ‘Chessflix’ eu posso acessar a plataforma ‘Lichess’  e jogar partidas de xadrez com pessoas do mundo inteiro. O computador escolhe o meu adversário de acordo com o meu próprio ‘rating’. Contudo, se preferir, e prefiro, dá de se especializar na resolução de ‘problemas’ ou ‘quebra-cabeças’ … uma forma muito interessante de exercitar sua mente diariamente. Isso tudo gratuitamente. Querer mais o quê?