Novas e velhas palavras

Lendo o livro do memorialista Juventino Linhares ‘O que a memória guardou’ fiquei observando as palavras que eram de uso comum até a década de 1960 e que foram caindo no desuso pela população em geral e, até mesmo, para os jornalistas. Entre estas palavras que ficaram velhas destaco: alcaide [prefeito], logradouro [rua, praça], lazareto [leprosário], nosocômio [hospital], carreira [raia de corrida], facultativo [pessoa formada em faculdade], botica [farmácia]., datilógrafo [digitador].

Mas, em compensação, a nossa vida é invadida por novas palavras diariamente. Principalmente com a Era Digital, foi necessária a criação de novos termos que dessem conta de atender a uma nova realidade. Cada nova tecnologia exige novas palavras. Como o uso de novas tecnologias passou a ter uma velocidade alucinante, as palavras correspondentes a cada uma também surgem em ritmo alucinante. CD, DVD, drone, pendrive, HD externa, bluetooth …. são novos termos para novas tecnologias. Mas temos também palavras antigas que mudam de sentido para poder dar conta de denominar uma nova tecnologia. É o caso, de ‘celular’ e ‘satélite’.

Não faz muito tempo nós incorporamos o termo ‘fake news’ no nosso novíssimo vocabulário para expressar a ideia de que uma informação era falsa. Não bastava a palavra ‘mentira’ ou o termo composto ‘notícia falsa’. De uns tempos para cá deram para invadir nosso cotidiano termos com ‘voucher’ e ‘cachbak’. Todas as propagandas acabam utilizando esses termos para tentar ‘fidelizar’ os clientes a uma determinada marca. Agora, durante o processo eleitoral de 2024, emerge dos labirintos da política partidária uma tal de ‘deepfake’. Segundo consta, seria o uso de Inteligência Artificial para manipular a imagem e/ou a voz de uma pessoa, fazendo com que ela pareça dizer ou fazer algo que comprovadamente não fez. Manipulação de imagem com qualidade de realidade.

A língua oficial da Era da Inteligência Artificial é a língua inglesa. Disso ninguém tem dúvida.  Cada tempo tem sua língua oficial impregnando as demais línguas mundo afora. No tempo de Machado de Assis era comum introduzir termos franceses no texto. No tempo de Padre Antônio Vieira era impossível ser um grande orador sem intercalar no texto algumas máximas latinas. Nisso o Brasil tem um grande prejuízo, porque abriga gerações sucessivas de pessoas que falam apenas uma língua, sendo que a maioria sequer a domina de forma razoável. Encontrar uma pessoa bilingue no Brasil é mais raro do que encontrar pessoas que dominam mais de três línguas na Europa. Isso se deve à nossa realidade colonial de criar o ‘espírito nacional’ e o conceito de ‘pátria’ entre nosso próprio povo. [Magru Floriano]

Duvido, logo penso!

Estamos adentrando uma nova era na história da humanidade. Estamos diante da realização de tudo o que a ficção científica sempre nos apresentou como uma distopia futura. A máquina está conquistando seus ares de humanidade e ganhando a capacidade de pensar como um ser humano.

O primeiro sinal sobre a derrubada das fronteiras entre máquina e ser humano foi dada no ano de 1996 quando o computador da IBM – com o sugestivo nome de Deep Blue [azul profundo] – venceu uma partida de xadrez do insuperável Garry Kasparov. Fez mais, no ano seguinte, atualizado, venceu o match contra Kasparov, selando por definitivo a quebra das fronteiras entre inteligência natural e inteligência artificial. Estava dada a largada para o estabelecimento da Era da Inteligência Artificial.

Agora, em pleno ano de 2024, vejo uma foto de autoria do francês Jerome Brouillet onde o surfista brasileiro Gabriel Medina paira no ar ao lado de sua prancha sobre uma gigantesca onda do mar do Taiti – praia de Teahupoo – onde estavam sendo realizadas as provas de surf das Olimpíadas de Paris. Ao ver a foto fiquei na dúvida sobre sua veracidade. Depois, pesquisando na Internet tive a confirmação de se tratar de foto verdadeira. O fato retratado na foto é verdadeiro.

Desta minha dúvida inicial me adveio um questionamento sobre a minha própria postura diante da mídia atual. Devido ao uso exagerado de ‘fake news’ durante as campanhas eleitorais e, também, nas redes sociais em todos os tempos, comecei a perceber que a minha tendência inicial é sempre duvidar de fotos, vídeos e textos noticiosos cujos conteúdos sejam considerados ‘poucos prováveis’. Foi assim, por exemplo, quando vi uma foto do governador de Santa Catarina com as mãos apoiadas nas nádegas da esposa de um ex-presidente. Comecei a perceber que, dia após dia, cada vez mais fiquei propenso a duvidar das imagens por conta do grande número de manipulações que estão sendo feitas mundo afora.

A coisa ficou tão séria que os grandes conglomerados de notícias resolveram criar serviços especiais para garantir que tal informação ‘não é fake news’ ou, ao contrário, alertar seu leitor de que se trata de ‘fake news’. Neste ano eleitoral de 2024, parece que o uso da IA – Inteligência Artificial – para manipular fotografias e até mesmo modificar o discurso de um político vai dar o tom de muitas campanhas Brasil afora.

Na Era da Inteligência Artificial, portanto, a primeira vítima é o consumidor de informação. Este terá, sempre, de duvidar. Terá de criar um mecanismo próximo da ‘dúvida sistemática’ de Renée Descarts.  No mundo atual a máxima será “Duvido, logo penso !” [Magru Floriano].

Apagão cibernético global

A ficção científica sempre nos apresentou distopias as mais dramáticas possíveis. Na Era Digital a distopia mais corriqueira é aquela que apresenta um mundo em colapso devido a uma pane geral no sistema de computação ou o controle deste mesmo sistema por um robô que ‘traiu’ o seu criador. Pensar em um apagão geral é realmente um pesadelo, porque nos dias atuais tudo, absolutamente tudo, está ligado à rede global dos satélites e computadores. Sem ela não funciona de aeroporto a semáforo na esquina da nossa casa.

Bem, acontece que no dia 29 de julho de 2004 a humanidade teve uma pequena mostra de que esta distopia, até então prevista apenas nas peças de ficção científica, é algo possível de acontecer. A imprensa chamou o fenômeno de ‘Apagão internacional’, ‘Pane global’, ‘Apagão cibernético global’, e, poeticamente, de ‘apagão azul da morte’.  A referência à cor azul deu-se pelo fato de que os telões dos aeroportos ficaram todos azuis, sem qualquer dado para apresentar aos passageiros que esperam sua hora do embarque.

A pane do sistema ocorreu por conta de uma atualização mal-sucedida no sistema de uma empresa privada nos Estados Undios de nome Crowd Strike. Uma desconhecida dos bilhões de mortais que costumam levar suas vidas sem se importarem com o mercado de ações nas bolsas de valores mundiais. Mas, a invisível Crowd Strike promoveu uma ‘espiral de telas azuis’ pelo mundo inteiro, parando por completo aeroportos, portos e até bancos no Brasil. [Magru Floriano]

Adeus ao Dinheiro

Ninguém tem mais dúvida de que o dinheiro vivo – em cédula e moeda – vai deixar de circular ainda nesta década. Chegaremos em 2030 sem dinheiro no bolso. Essa tendência que, à primeira vista, parecia ser de longo prazo, passou a ser uma tendência de médio prazo a partir da pandemia do Covid e a criação do PIX, no ano de 2020.

Neste ano, as pessoas das classes mais abastadas e escolarizadas já tinham decidido deixar o dinheiro físico de lado em troca das comodidades do dinheiro eletrônico – à mão do usuário através de cartões magnéticos e aplicativos de aparelhos celulares. Mas, em novembro o Banco Central do Brasil lançou o PIX e incluiu no sistema financeiro nacional quase 72 milhões de usuários. O Governo Federal colocou todos os assistidos com programas sociais do Estado no sistema eletrônico, levando esse enorme contingente de cidadãos invisíveis ao sistema bancário nacional a terem acesso a um celular e uma conta bancária digital. Agora, as classes menos favorecidas recebiam seus auxílios governamentais com dinheiro eletrônico.

Como eu gosto muito de fazer experiências nesse setor que envolve mudança social através do implemento de novas tecnologias, resolvi todo mês pegar uma quantia de dinheiro físico no banco e tentar pagar contas com cédulas e moedas. No início, ainda em 2021, tinha dificuldade de pagar contas em padarias e supermercados com notas mais altas, duzentos e cem reais. Mas a partir de 2022 comecei a perceber a dificuldade em pagar com presteza qualquer conta independente de valor. A dificuldade maior ocorrida quando da necessidade de moedas. A primeira moeda que sumiu por completo dos caixas foram as pequeninas moedas de um centavo. Depois, sumiram as moedas de cinco centavos. Por último, sumiram todas as moedas.

O sumiço das moedas era o prenúncio de uma tendência irreversível. Agora, em pleno ano de 2024, quando puxo a carteira e apresento dinheiro físico alguns caixas demonstram espanto e até certa irritabilidade, porque sabem que vão ter problemas para arrumar o troco correto para me entregar. Nos supermercados é comum o caixa apertar o botão da luz vermelha para chamar o assistente de caixa, para poder trocar notas maiores por notas menores e até conseguir algumas preciosas moedas. Nos restaurantes tornou-se usual os caixas arredondarem as contas, para fugir ao supremo sacrifício de conseguir notas de baixo valor e moedas. A partir deste ano, não lembro uma vez que tenha apresentado uma nota de cem reais a um comerciante que não tenha de perder mais tempo do que um usuário de cartão. Geralmente um caixa acode ao outro ou uma pessoa de apoio é acionada, como os tradicionais assistentes de caixas e até os gerentes.

O caso mais extremo que vivenciei este ano ocorreu na Drogaria Catarinense. Fui fazer uma compra na loja da Rua Hercílio Luz e ao apresentar o dinheiro físico o caixa simplesmente me comunicou que não tinha como me dar o troco e desfez o registro da minha compra. Insisti, dizendo que tinha o direito de pagar com dinheiro de circulação nacional e ele simplesmente disse-me: ‘Hoje é domingo, não tenho como conseguir o troco para lhe dar”. Encerrada a conversa, sai sem a mercadoria apesar de ter o dinheiro para compra-la. No mês de agosto, em duas oportunidades fiquei devendo no caixa do restaurante onde almoço com regularidade. Motivo: “não temos troco, fica no fiado”.

Então é isso, quem deseja se incomodar no comércio que utilize dinheiro físico para pagar suas contas. Por enquanto ainda estão aceitando os cartões magnéticos. Acontece que as maquinazinhas de cartões também estão com seus dias contados. Tenho notado uma certa tendência entre os integrantes das classes mais abastadas e escolarizadas a utilizarem o celular pelo sistema de aproximação para pagar todas as contas. Nem dinheiro, nem cartão magnético, teremos apenas dinheiro eletrônico acessado através do celular.

Adeus dinheiro. Quando alguém quiser ver uma raridade dessas que procure um colecionador. Isso já havia acontecido com outras peças que passaram a ser consideradas peças históricas, como é o caso do selo, ficha telefônica e o belíssimo cartão postal. [Magru Floriano – 2024].

O futuro da imprensa

O futuro da imprensa é não ter imprensa. Isto se levarmos em conta que o termo imprensa remete diretamente à atividade de impressão. Não teremos mais jornais/revistas impressos. Mas, não é só isso. Não teremos também jornalismo enquanto atividade profissional remunerada. Teremos comentaristas, apresentadores e animadores de programas em rádio e TV, comentaristas e colunistas nos jornais digitais e nas múltiplas plataformas ocupadas pelas redes sociais na Internet. Atualmente [2024] estima-se que noventa por cento dos jornalistas graduados pelas universidades catarinenses esteja trabalhando no setor de assessoria de imprensa e produção própria de conteúdo digital.

Jornalistas Gracie e Ivan Rupp no ateliê de Magru Floriano – 2024.

Entre os anos de 1970 e 2000 o normal seria que o jornalista tivesse emprego prioritário em um órgão de imprensa [rádio, TV, jornal, site de notícia] e, fizesse ‘bico’ em assessorias ocasionais.  Nos dias atuais [2024] a pirâmide ocupacional se inverteu e a assessoria de imprensa virou o principal mercado do jornalista. São elas que pautam todos os jornais – os que resistiram à concorrência com as mídias digitais – rádio e televisão.  

A imprensa está pautada por dois grandes focos produtores de informações: assessoria de imprensa e redes sociais digitais. O problema é que ambos os conteúdos produzidos por eles são tecnicamente medíocres. Enquanto a assessoria só vê o lado da empresa que trabalha, as redes sociais são condicionadas pelo mal do ‘achismo’ e da opinião sem qualificação técnica. O quadro fica ainda mais grave quando colocamos nas redações gente que não sabe escrever e repassa para a IA – Inteligência Artificial – a missão de elaborar o texto a partir de algumas informações coletadas apressadamente na Internet.

No dia 11 de janeiro de 2018 publiquei um texto com o título ‘Quem reclama? Do que reclama?’ na plataforma Facebook. Em 24 horas o material contava com 1.500 curtidas, 1.200 compartilhamentos, 500 comentários vindos de todas as regiões de Santa Catarina. No dia seguinte, o Diário do Litoral publicou um depoimento meu sobre o aniversário de 39 anos do jornal – já que fui um dos seus primeiros repórteres. Apenas uma pessoa me enviou mensagem comentando sobre minha participação na edição do jornal mais lido da cidade.

A pandemia do Covid simplesmente acelerou uma tendência que vinha se desenrolando por muito tempo e, tudo indicava, ainda ia demorar um tempo relativo para se completar. O tempo histórico foi acelerado na pandemia a partir de 2019. Por conta do auxílio do Governo Federal, por exemplo, todas as pessoas com baixa renda tiveram de abrir conta digital e indicar um número de celular, migrando compulsoriamente para o banco digital e seus produtos revolucionários não presenciais, como é o caso de ‘Aplicativo Bancário’ e o sistema de pagamento ‘Pix’. A totalidade da sociedade brasileira foi incorporada à era digital … o resto é história.

Tendo um celular em mãos conectado à Internet por que motivos a população iria esperar até o dia seguinte para ler as notícias em um jornal impresso? Principalmente a plataforma WhattsApp, ao formar grupos de interesses, conecta a pessoa ao mundo real instantâneo. Um acidente na BR-101 é filmado/fotografado e no mesmo instante transmitido por toda a rede na velocidade de segundos. O jornal tinha dois produtos que interessavam ao leitor: notícia e opinião. A notícia é veiculada instantaneamente pelos grupos digitais via WhattsApp, Instagran, Facebook …; a opinião é expressa à exaustão nas redes sociais. Sobrou o que para o jornal do dia seguinte?

Mas, calma, nunca está suficientemente ruim que não possa piorar um pouco mais. Devido ao quadro bipolarizado do cenário político brasileiro, as pessoas começaram a ter o péssimo hábito de desqualificar qualquer conteúdo jornalístico transmitido por determinado veículo de comunicação que não esteja alinhado ao seu grupo ideológico. A Rede Globo é uma das vítimas dessa realidade contaminada ideologicamente, mas está longe de ser a única. Junto a esta escolha pelo órgão de imprensa alinhado ideologicamente vem a tendência de aceitar com muita naturalidade ‘fake news’, desde que a mesma esteja de acordo com suas ideias e interesses ideológicos.

Temos um cenário de tempestade perfeita: fake news, escolha ideológica da fonte de notícia, manipulação de imagens por mecanismos de IA – Inteligência Artificial, fim do jornalismo de múltiplas fontes … tudo isso leva à ascensão e hegemonia do idiota como o comunicador de sucesso. O especialista, o técnico, aquele que estudou durante décadas um determinado assunto, tem de disputar vorazmente com o idiota seu espaço de opinião nas plataformas digitais. No mundo digital todo mundo é doutor de tudo. Ler e estudar deixa-se para depois, porque o agora exige que se lance a opinião para conquistar seguidores.

CIDADE DE CIMENTO

Magru Floriano

Itajaí está correndo um sério risco de se tornar mais uma cidade de cimento, como já vem ocorrendo com as cidades de Balneário Camboriú e Itapema. A facilidade como a Prefeitura decreta a derruba de árvores é espantosa e causa extrema preocupação a qualquer pessoa com um mínimo de bom senso. Não bastasse ter transformado a Rua Hercílio Luz em uma rampa de concreto-armado, a municipalidade colocou vasos de bonsais aqui e ali para disfarçar, aparentando ter algum verde em toda a sua extensão. Bem poderíamos denominar a principal rua da cidade de RUA DOS BONSAIS… porque o resto é cimento. Agora, anuncia uma reforma geral na Avenida Marcos Konder, retirando dela quase uma centena de árvores. Uma obra, diga-se, a bem da verdade, completamente desnecessária. Dinheiro público que poderia ser utilizado em obras muito mais úteis e socialmente desejáveis na periferia da cidade.

Rua Hercílio Luz passou a ser uma rampa de concreto-armado … sem vida.

Itajaí tem um histórico na questão ecológica que nos preocupa. As árvores sempre foram derrubadas sem o menor pudor. Quem lê um pouco sobre os tempos de antanho não terá muita dificuldade em detectar diversas ocasiões em que as árvores foram derrubadas em nome do progresso, não tendo a devida compensação ecológica. Foi assim nas diversas reformas ocorridas na Praça Vidal Ramos no tempo que Irineu Bornhausen era o prefeito e, foi assim também, com a Avenida Joca Brandão e rua José Eugênio Müller – na Vila Operária. A Avenida Joca Brandão e a Rodovia Osvaldo Reis perderam árvores e plantas para dar lugar às palmeiras, árvores sem sombras que cumprem apenas designíos estéticos. Está viva na minha memória a derrubada das figueiras para dar lugar ao Terminal de Ônibus da Fazenda …. 

O pior de tudo é perceber que a Prefeitura, o poder público, é o péssimo exemplo a ser seguido pela iniciativa privada. Ela derruba árvores frondosas e planta palmeiras ou bonsais, promove terraplanagem e terraplenagem em locais como o Saco da Fazenda, canaliza o Ribeirão da Caetana e autoriza construção sobre o mesmo, não tem uma política definida para preservar áreas com nascentes para captação de água potável, não olha com atenção a ocupação das margens dos rios e ribeirões, legaliza loteamentos feitos em grandes áreas de margem de rio e baixios antes utilizados na plantação de arroz irrigado, colocando a vida e o patrimônio de milhares de pessoas em risco constante, como é o caso dos loteamentos Santa Regina e Portal…..

Temo em dizer, dado o histórico aqui levantado de memória, que as centenas de árvores da Avenida Marcos Konder não serão as últimas a serem derrubas na cidade. O cimento e o asfalto tomarão conta de tudo e, depois… bem, depois, vem o choro e a lágrima, com a natureza simplesmente querendo sua parte de volta. Já que não aprendemos nada com as enchentes de 1983 e 2008, será que temos capacidade de aprender com o que está acontecendo no Rio Grande do Sul?

CHEGA DE CIMENTO E BONSAIS. QUEREMOS ÁRVORES!

MAIS TECNOLOGIA MENOS EMPREGO

Magru Floriano

No dia cinco de abril de 2023 a Prefeitura de Itajaí apresentou os dois carros que passariam a ser usados na atividade de monitoramento do novo sistema público de estacionamento nas ruas do Centro da cidade. Conversando com os funcionários públicos responsáveis pelo projeto de monitoramento por câmeras instaladas nos veículos, notei o orgulho deles pelo uso da alta tecnologia e, a forma positiva como sentenciavam que os dois carros substituíam trinta e cinco pessoas. Os veículos passavam, filmavam e já enviavam a imagem para uma central, responsável pela expedição da respectiva notificação ao proprietário de veículo infrator.

O sistema de estacionamento nas ruas de Itajaí, elaborado pela empresa ‘Vago’, é todo digital. O carro da Codetran passa em baixa velocidade, registra a placa do carro estacionado, confere se ele está inscrito no sistema e está pagando pela vaga. O motorista tem diversas opções para quitar a vaga que vai usar: a primeira é utilizar seu próprio celular, através de um aplicativo; a segunda é comprar um cartão no comércio local; a terceira é comparecer até um dos totens que a empresa instalou em diversos pontos da cidade e pagar em dinheiro, cartão ou pix – no celular.

Não tente encontrar alguém da empresa ou da Codetran para receber qualquer tipo de orientação. As pessoas sumiram. Elas não são necessárias e foram substituídas por carros, aplicativos, câmeras, Internet, cartões, totens … As poucas pessoas empregadas estão no volante dos carros e atrás das telas dos computadores aplicando as multas que você vai receber tempo depois pelo correio ou no seu celular, via aplicativo específico da ‘Vago’ ou da ‘Codetran’.

A máquina tudo vê e é implacável no cumprimento da lei. Inútil querer argumentar, porque não há mais com quem dialogar. Daí, eu começo a entender porque está se tornando mais frequente encontrar pessoas fazendo caretas e trejeitos em lugares públicos, dando sinais de alguma anormalidade psicológica e comportamental. São pessoas que estão reagindo, sadiamente, à vigilância implacável das câmeras. Ao notarem que estão sendo filmadas – no elevador ou na porta do edifício – fazem ‘caras e bocas’ para a máquina. As mesmas máquinas que estão ameaçando roubar-lhes os empregos.

Por outro lado, todo mundo fala que é um absurdo o uso intensivo de tecnologias na área da Inteligência Artificial, mas acaba utilizando a tecnologia que as empresas incorporam a seus produtos. No primeiro semestre de 2023 comprei um carro automático, pela primeira vez não precisei utilizar um pedal resistente – embreagem – para passar a marcha. A minha coluna e o meu joelho agradeceram. A tecnologia embarcada é cada vez maior nos veículos. No meu novo Honda também experimentei utilizar ‘bluetooth’ para conectar diretamente o meu celular ao sistema de som ambiente, fazer ligações de celular a partir de comandos no volante, a utilizar o sistema ‘cruiser’ para o carro controlar a velocidade média durante a viagem … ou seja, passei a utilizar um grande número de tecnologias que facilitam a minha vida no trânsito.

Também este ano passei a utilizar o cartão magnético por aproximação e a pagar contas pelo sistema ‘pix’. Lembro que sempre fui resistente às inovações nessa área bancária. Primeiro, resisti até quando pude em utilizar os cartões eletrônicos  para fazer pagamentos no comércio. Dava preferência ao uso de cheque e dinheiro que retirava direto no caixa do banco. Também evitava totalmente o uso dos caixas eletrônicos para fazer pagamentos ou retirar dinheiro. Ficava em filas enormes, mas preferia ser atendido por um ser humano. Muito tempo se passou até que, por necessidade, passei a utilizar os caixas eletrônicos para pagar boletos e retirar dinheiro. Passei um tempo utilizando os cartões magnéticos somente para retirar dinheiro nos caixas eletrônicos das agências bancárias, nunca para pagar contas diretamente no comércio. Mas, acabei utilizando os cartões e gostando da facilidade. Mesmo assim, quando recebia um cartão novo pedia para o atendente anular a opção de pagamento por ‘aproximação’ por questão de segurança. Foi a última batalha contra a tecnologia bancária. Antes dela, tive uma batalha de trincheira no uso de aplicativo bancário no celular. Primeiro, só utilizava o aplicativo para ver saldo. Muito depois comecei a pagar alguns boletos e, por último, fazer pagamento por pix e TED.

Hoje, tomei a decisão de não reagir mais ao uso intensivo de tecnologia no meu cotidiano: seja o que Deus quiser!

QUANDO A MAIORIA SILENCIA ANUNCIA A OPRESSÃO

Magru Floriano

As eleições de 2022 vão ficar na história eleitoral brasileira como o momento em que a sociedade brasileira passou por um processo eleitoral onde apenas uma tendência política teve ambiente favorável a se manifestar publicamente. Quem andava pelas ruas do Brasil via apenas material de campanha dos nacionalistas de direita e ultradireita, ornando carros, sacadas de prédios, fachadas de lojas e camisetas de eleitores. Nem no tempo da Ditadura da Arena, na década de 70, tivemos uma ausência da manifestação da oposição de forma tão expressiva.

Mas o que levou a oposição ao governo ultradireitista silenciar de forma espontânea? Obviamente que foi a forma agressiva como essas manifestações democráticas eram recebidas por seus oponentes. Para os militantes da ultradireita todos os opositores ao Governo Bolsonaro eram, irremediavelmente, tachados de comunistas e inimigos do Brasil. Aquele que manifestava, mesmo que timidamente, seu voto a um outro candidato que não Jair Bolsonaro, era ofendido e hostilizado de forma agressiva, principalmente nas redes sociais [Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube, Linkedln, Twitter, Pinterest, Tik Tok, Skype, Snapchat, Messenger …]. Mesmo para os eleitores mais moderados, que optaram por candidaturas mais ao centro, fora da polarização esquerda-direita representada pelas candidaturas Luis Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro, o ambiente ficou por demais insalubre. Manifestar voto para Simone Tebet, Ciro Gomes, Felipe d’Ávila, Soraya Thronicke … era o suficiente para arriscar desencadear uma escalada de ações agressivas do seu interlocutor ‘bolsonarista’. Então, o silêncio foi o recurso utilizado pelos mais moderados para evitar esse conflito desnecessário ou abusivo.

Na década de 1960 a pensadora Elisabeth Noelle cunhou a expressão ‘Espiral do Silêncio’ justamente para explicar esse fenômeno que ocorre com uma pessoa ou grupo que tem opinião divergente. Noelle detectou inicialmente uma espiral do silêncio em subgrupos que tinham opinião divergente de grupos majoritários. O oponente, temendo a reação desfavorável da maioria acabava espontaneamente optando pelo silêncio como forma de evitar a represália e o mal-estar em seu próprio grupo. Era silenciar para não perder os amigos e espaços de sociabilidades.

A grande imprensa nacional acabou utilizando os termos ‘Voto Envergonhado’ e ‘Voto Silencioso’ para dar nome a esse fenômeno ampliado da ‘Espiral do Silêncio’. Um termo utilizado nos EUA durante a eleição Trump versus Biden. Na verdade, não se trata de vergonha do voto, mas apenas uma estratégia para evitar o incômodo com reações agressivas da militância de ultradireita. Uma pesquisa divulgada pela CNN assegurou que cerca de 53% dos usuários de Internet mudaram o comportamento nas redes sociais para evitar o conflito com amigos, familiares e parceiros de trabalho. As principais justificativas para o silenciamento espontâneo foram: medo de agressão físico-verbal; evitar constrangimento público; respeitar o outro; medo de comprometer negócios, emprego e relacionamentos; insegurança pessoal; evitar mal-estar em momento social determinado; medo de rejeição; evitar julgamentos desfavoráveis …

Como a militância da ultradireita ficou sozinha nas ruas e a visibilidade da campanha do candidato Jair Bolsonaro – principalmente ostentando a bandeira do Brasil – era expressiva, quando saiu o resultado da eleição ela não quis aceitar a realidade desfavorável e voltou à rua para contestar a lisura do processo eleitoral. Fecharam as principais rodovias do país e pediram – em nome da democracia – a intervenção constitucional das Forças Armadas. Em Itajaí, nos dias 31 de outubro e primeiro de novembro, fecharam a BR-101 e Rodovia Antônio Heil. No dia dois de novembro – feriado de Finados – convocaram os eleitores de Bolsonaro para uma manifestação defronte ao prédio da Capitania dos Portos, onde pediram que as Forças Armadas intervissem para não deixar o presidente eleito, Luis Inácio Lula da Silva, assumir novamente a presidência do Brasil, para ‘não deixar o Brasil cair em mãos de comunistas’. Ficaram acampados no local por cerca de setenta dias, rezando e discursando em praça pública, implorando por um Golpe de Estado.

Novamente a oposição calou e ficou em casa vendo tudo pela televisão. Justamente porque a oposição ficou assustada com a agressividade da ultradireita e buscou preservar sua segurança. Não havia espaço para o contraditório, para o diálogo, para a manifestação democrática do contraponto, da argumentação … qualquer manifestação oposicionista era sumariamente reconhecida como ‘coisa de comunista’ e um atentado contra o Brasil. Então, o silêncio reinou como reina a paz nos cemitérios. Mas essa gente não quer ver o óbvio: a maioria votou na oposição e, mais, muito mais, a maioria esmagadora reconheceu a vitória da oposição nas urnas. Uma parcela significativa dos eleitores de Jair Bolsonaro pensa assim também. Então sobra uma minoria radical de ultradireita, fascista, que não aceita parte do resultado eleitoral – sim, parte, porque só questiona a eleição que perdeu, sem questionar eleições que a situação saiu vitoriosa para deputado federal, deputado estadual, governador e senador – e, impõe o caos à sociedade brasileira.

Interessante perceber que esses manifestantes que fecham as rodovias, queimam pneus, enfrentam a polícia para pedir o golpe contra o sistema democrático empunham em grande número a bandeira brasileira com o seu vistoso lema ORDEM E PROGRESSO. Mas que ordem é esta? Que democracia é esta que silencia a oposição e deseja desesperadamente que as Forças Armadas golpeiem o Estado de Direito?

Uma coisa é certa: quando a maioria silencia, este silêncio está anunciando aos berros a opressão.

MINHA PAIXÃO PELOS LIVROS E O DESPREENDIMENTO DE DOAR

Magru Floriano

Considero que comecei ler tardiamente. Ler de forma apaixonada, como uma pessoa que escolhe estar em companhia de um livro. Aos quinze anos de idade – tendo como referência o acervo da biblioteca do Colégio Salesiano – fui me iniciando na leitura como atividade de entretenimento, leitura espontânea, fora das obrigações escolares. Li de Platão a Aristóteles, passando pelo teatro grego; depois, li os clássicos do Renascimento seguindo uma trilha intensa e surpreendente. No caminho me apaixonei por Fernando Pessoa, Willian Shakespeare, Herman Hesse, Khalil Gibran, Lobsang Rampa, Jean-Jacques Rousseau, Victor Hugo, Jorge Amado … Essa paixão me levou a ter uma biblioteca com mais de cinco mil exemplares. Era o meu maior orgulho. Era a materialização da minha autoimagem de leitor.

Acontece que sofri drasticamente com as enchentes de 1983 e 1984 no Vale do Itajaí. Era morador do bairro de Cordeiros – Itajaí SC – e retirar os livros de casa foi um trabalho exaustivo. Na volta à normalidade tomei uma iniciativa drástica: antes de devolver os livros às estantes, resolvi promover uma triagem, ficando somente com os livros que: 1 – serviam como fonte de consulta aos meus estudos; 2 – tinha interesse em reler; 3 – continham alguma importância afetiva. O restante resolvi doar aos amigos e bibliotecas de escolas. O mesmo voltou a ocorrer quando me aposentei, em 2015, como professor da Univali. Resolvi doar aos amigos todos os meus livros técnicos de Comunicação Social, assim como livros que utilizava para lecionar Sociologia, Sociologia Brasileira, Filosofia, História da Educação. Doei de Paulo Freire a Antônio Gramsci; de Celso Furtado a Hannah Arendt.

Atualmente, tenho uma biblioteca geral com menos de quinhentos títulos e uma coleção de livros de autores da Região da Grande Itajaí que ultrapassa a casa dos dois mil exemplares. A minha biblioteca, então, passou por três estágios bem distintos: no início ela era uma biblioteca com títulos gerais, com predominância dos livros que comprei como acadêmico dos cursos de Biblioteconomia, História, Direito e Pedagogia, além dos livros dos meus clássicos preferidos; em um segundo momento, já como professor universitário, predominavam títulos técnicos, indispensáveis para o preparo das minhas aulas; atualmente, a tônica é para a minha coleção de autores do Baixo Vale do Itajaí.

Acontece que como administrador da página no Facebook ‘Itajaí de Antigamente’ recebo muitas doações de livros de autores da região. Então, eu faço uma triagem e mantenho uma boa relação com os amigos nessa atividade de doar e receber doação de livros antigos. No final do ano de 2022 cheguei a receber quase uma centena de livros. Na triagem, fiquei com cerca de trinta títulos e, os demais, doei para amigos que também são colecionadores de livros de Itajaí, como é o caso de Eliezer Patissi, Carlos Guerios e Dolor Silva. A ideia é estimular outras pessoas a também colecionarem livros de autores da região, formando uma rede de colecionadores de livros de Itajaí. De minha parte, tenho o sonho de criar o MUSEU DO LIVRO, onde pesquisadores e leitores poderão encontrar todos, absolutamente, todos os livros escritos em Itajaí e/ou por itajaienses. Na minha avaliação não falta muito para completar este acervo. Entre as faltas, destaco um exemplar do ‘Anuário de Itajaí para o ano de 1924’, um ou outro livro de Lausimar Laus, Arnaldo Brandão e Marcos Konder.  Na medida do possível empreendo um bom esforço em adquirir as novas obras publicadas, mantendo o acervo o mais atualizado possível.

O bom de receber livro em doação e, também, de doar, é que você tem a oportunidade de colocar os exemplares em mãos de pessoas que sabem dar valor a eles. No caso dos livros técnicos que tinha em minha biblioteca, fiquei muito feliz por doá-los a professores que terão neles uma base de consulta rápida. Aposentado da docência, não fazia mais sentido tê-los em casa. A doação, portanto, teve como referência o objetivo de utilidade. Meus livros técnicos são mais úteis nas casas de professores que estão na lida. Fico feliz de saber que eles estão sendo lidos, consultados, emprestados.

O ato de doação de um livro, vale destacar, não é um simples ato de se desfazer de um objeto sem valor que está atrapalhando seu cotidiano, um estorvo, um lixo dentro de casa. Muito pelo contrário, a doação é um ato de desprendimento, porque você considera que o livro tem um determinado valor, mas, que mesmo assim deve seguir seu caminho sendo mais útil em mãos de outras pessoas. Na contramão dessa paixão pelos livros tem aqueles que jogam livros na lata do lixo reciclável como joga uma garrafa vazia de vinho. Para a felicidade dos colecionadores e apaixonados por livros, nos dias atuais, os catadores de papel já têm consciência do valor econômico desses exemplares e a maioria absoluta deles acaba nas prateleiras das livrarias especializadas em livros usados, nossos tradicionais sebos.

CRIATIVIDADE ARTÍSTICA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Magru Floriano*

Nos últimos tempos tive diversas oportunidades em ouvir falar de programas que estão utilizando AI – Inteligência Artificial – para desenvolver inúmeras tarefas no mundo digital, algumas delas no campo das artes. Mais recentemente ouvi falar do ChatGPT e, aproveitando a experiência em computação do meu filho Thiago Floriano – Analista de Sistema – resolvi dar algumas tarefas ao robô inteligente, testando fundamentalmente sua capacidade criativa. Fiquei impressionado com a rapidez das respostas e o potencial criativo de todo o sistema. Como não poderia deixar de ser, também fiquei um pouco assustado, pensando no futuro da arte com essas máquinas aprendendo a realizar obras autorais.
Das diversas tarefas solicitadas, por incrível que pareça, só avaliei como inválidas duas respostas: a primeira, foi a resposta dada à questão ‘Quem é o fundador do Município de Itajaí/SC?’ Considero a hipótese do ChatGPT ter misturado informações da Itajaí – em Santa Catarina -, com uma localidade no interior da Bahia que também responde pelo mesmo nome; a segunda, foi a resposta à questão ‘Quem é o escritor Magru Floriano’. Nesse caso, perdoei o robô por não me conhecer. Afinal, ele é jovem e não lhe faltará oportunidade para isto.
De resto, chega a ser assustador o nível de resposta que o robô forneceu. Pedi para escrever uma poesia sobre ‘tempestade’ e em segundos enviou uma extensa poesia com rimas: ‘O céu se torna escuro e cinzento / O vento sopra forte e violento / Os raios rasgam o firmamento / E a chuva cai sem cessar um momento …’. Pedi para refazer incluindo a palavra ‘escuridão’ e recebi um poema com o seguinte final: ‘E assim, a tempestade passa / Deixando a paz que não se esvai em massa / E o mundo retoma sua trajetória / Guardando na memória a força da Escuridão’.
Resolvi sofisticar um pouco mais a minha relação com o ChatGPT e apresentei a ele a seguinte questão: ‘Escreva variações deste verso mantendo a ideia original: Quando a opressão se impor a arte será liberdade’. Ele me enviou a seguinte resposta em segundos: “Quando a tirania prevalecer, a arte será nossa libertação. / Quando a censura nos calar, a arte será nossa voz. / Quando a opressão nos desumanizar, a arte será nossa humanização.” Também pedi para ele escrever um novo poema a partir desse verso. Respondeu: “Como um gripo que ecoa pelos ares / Como um sopro que liberta mendes / Como uma luz que ilumina caminhos / A arte será a nossa força, a nossa resistência.”

Em seguida solicitei que escrevesse uma mensagem de parabéns pela passagem do Dia Internacional da Mulher para que pudesse enviar à minha esposa e ele respondeu em tom de intimidade: ‘Claro, aqui está uma sugestão de mensagem: Querida Sílvia …”. Depois, resolvi propor uma tarefa um pouco mais complexa e pedi o roteiro de um curta-metragem tendo como tema a busca por ouro no Vale do Itajaí. O início da resposta é surpreendente: “CENA 1: PLANO ABERTO – MONTANHAS DE ITAJAÍ – Vemos as montanhas de Itajaí, em Santa Catarina, envoltas em uma leve neblina. A câmera se aproxima de uma montanha específica, o Monte Taió, onde se diz que há muitas riquezas escondidas”.
Para completar o teste propus tarefas um pouco mais burocráticas: ‘Escreva uma legenda para uma foto do Museu Histórico’ e ‘Altere as hashtags para usar no site História de Itajaí’. Ambas as respostas foram muito satisfatórias.
Como despedida do nosso primeiro encontro pedi algo que, sinceramente, não esperava que ele respondesse. Propus: ‘Faça uma receita de tainha recheada com pinhão’. Ele além de me oferecer uma receita sofisticada, apresentou todos os passos necessários para a atividade e, no final, disse: ‘Bom apetite!’.

No final de tudo fiquei com a sensação de que estava sentado em um sofá no meio da rua. Algo estava fora da ordem …
Obs: texto publicado na revista ‘Sopa de Siri’, maio 2023, nº 250, pag. 27.