Reparação histórica

Lendo o livro de Bill Or ‘Isso não é um conto de terror’ me deparei com duas questões que envolvem diretamente o Casarão Burghardt que, eventualmente, poderiam merecer por parte de nossos historiadores e dirigentes culturais algum tipo de reparo histórico.

O primeiro possível reparo diz respeito à correta grafia do sobrenome que designa o casarão. Acontece que boa parte da documentação que se encontra no acervo da Casa Lins contém referência ao nome do proprietário do imóvel como sendo Burkhardt no lugar de Burghardt. Promovendo breve pesquisa na Internet me pareceu factível concluir que efetivamente o sobrenome da família se grafa com K e não com G, como no presente está identificado o referido imóvel. Sendo assim, nos resta estabelecer os seguintes questionamentos:

1 – em que momento e por quais motivos ocorreu a corrupção do nome familiar de Burkhardt para Burghardt?

2 – a Fundação Cultural e a Fundação Genésio Miranda Lins devem fazer o devido reparo em suas publicações oficiais e renomear o casarão com a grafia correta?

O segundo reparo diz respeito a um outro aspecto de sua denominação. Sendo Harry Hunt o verdadeiro construtor e proprietário do imóvel e Nikolau Burkhardt apenas seu segundo usuário – por ter casado com a viúva Mathilde -, não seria justo que a denominação fosse estabelecida como Casarão Hunt?

Neste ponto temos duas questões interessantes a refletir:

1 – foi a população de Itajaí que denominou o imóvel de Casarão Burkhardt esquecendo por completo do nome de seu construtor Harry Hunt;

2 – se denominarmos o imóvel pelo nome do seu construtor teríamos de fazer isso também com outros imóveis, como é o caso da Casa Lins que foi construída pelo médico Norberto Bachmann e, tempos depois, foi adquirida pela Família Lins.

Feitos os devidos questionamentos e conhecendo muitos detalhes que constituem toda a trama histórica, considero que o nome do imóvel deve ser mantido como Casarão Burghardt, respeitando a vontade popular. Por outro lado, por dever de ofício, as entidades oficiais devem trabalhar com as duas grafias do nome familiar. Devem grafar, portanto, Casarão Burghardt (Burkhardt).

Tradição e novas tecnologias na pesca da tainha

Num dia frio de julho resolvi passear pela Praia de Mariscal observando a natureza da região abandonada pelos turistas. Passou bem pouco tempo e um grupo de pescadores formou uma pequena roda na areia da praia visualizando o monitor de um drone que sobrevoa o mar. Cheguei perto para observar do que se tratava e me surpreendi: estavam monitorando um cardume de tainha estacionário próximo ao costão entre Mariscal e Quatro Ilhas.

Assim que tive oportunidade de conversar com o controlador do drone, perguntei: “Acabou a profissão tradicional do ‘atalaia’. Não precisa mais de vigia, porque o drone vê melhor e não erra, não é mesmo?!” O jovem me respondeu prontamente: “Nada disso. O vigia ainda tem sua parte na pesca da tainha, porque ele sinaliza exatamente onde o cerco deve ocorrer. Tem toda uma tradição de comunicação entre o vigia e o patrão embarcado que possibilita o cerco correto, não deixando a canoa furar o cardume.”

Na verdade, bem sabemos, a atividade do vigia vai perder precedência e status para o operador de drone. O jovem que domina novas tecnologias vai ficar mais importante do que o velho lobo do mar, que tudo sabia e tudo via, firmando-se como os olhos de toda a aldeia de pescadores. O jovem com tecnologia em mãos e o velho com um paletó surrado, este é o cenário. O jovem na praia olhando um monitor digital, o velho de cima de uma pedra movimentando seu paletó para indicar a direção que deve seguir a canoa visando fazer o cerco correto do cardume.

Atualmente não dá de prever se realmente o atalaia vai ter sua atividade extinta. Mas, temos certeza, o jovem e seu drone nunca mais deixarão as aldeias de nossos pescadores de tainha.

A Pátria de chuteiras …

O brasileiro, há muito, transformou o futebol em sinônimo de nossa identidade nacional. A bola é vista quase como um quarto símbolo nacional, fazendo companhia à bandeira, hino e brasão. É difícil de retratar culturalmente o Brasil sem falar de samba e futebol. E, obviamente, isso vale para Itajaí e seu povo.

Acontece que esta semana eu fui ver o jogo do Marcílio contra a Portuguesa Paulista e sai antes de terminar o jogo devido ao tédio que tomou conta de mim. Um jogo sem emoção, burocrático, triste. Em contrapartida, depositei todas as minhas esperanças na seleção brasileira, no domingo. Não deu outra, perdeu para a Noruega e deixou pelas portas dos fundos a Copa do Mundo realizada na América do Norte.

Apesar do futebol continuar sendo nosso quarto símbolo nacional, podemos afiançar que as coisas não andam nada bem para nós nos contextos internacional e local. O Marcílio Dias sofre para montar um time razoável visando competir na Divisão D do Campeonato Brasileiro, enquanto a seleção está sem rumo há décadas. Sem futebol de qualidade resta ao brasileiro, agora, voltar-se para as eleições de final de ano. Sem ufanismo terá de ir às urnas escolher seu novo presidente, governador, senadores, deputados estaduais e federais. Essa gente que renova mandatos, mas não renova práticas. A ‘Pátria de chuteiras’ vai descalça para as urnas. Descalça e sem esperança …!

Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina em Itajaí

Dia desse, tive a oportunidade de conversar com o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Luiz Nilton Corrêa, quando de uma visita técnica à Casa Lins e o Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí.

Aproveitei a oportunidade para solicitar aos diretores do IHGSC a criação de da SECCIONAL DE ITAJAÍ do IHGSC. Diversos municípios catarinenses já possuem seccionais dessa importante instituição guardiã de nossa história e/ou entidades correlatas. São os casos de: Lages, Blumenau, Joinville, São Francisco do Sul, Laguna, Brusque, Tubarão, Chapecó e Joaçaba.

Foto: flagrante da visita técnica liderada pelo presidente Luis Nilton Corrêa á Casa Lins. Presentes no evento: Sandra Vanzuita (superintendente da Fundação Genésio Miranda Lins), Edison d’Ávila (membro do IHGSC e presidente da AAMHAPI), historiadores Magru Floriano e Pedro Henrique de Moraes Alves (gerente do CDMHI).

Maré alta, proteção baixa …

A maré astronômica que elevou sobremaneira o nível do Rio Itajaí, esta semana, a ponto de atingir diversas ruas marginais expos de forma acentuada uma cicatriz no setor de preservação do nosso Patrimônio Histórico Edificado. A maré alta ilhou por completo o prédio da antiga fiscalização do Porto de Itajaí deixando para os itajaienses uma imagem de abandono e descaso com nosso patrimônio.

Interessante observar que os governos passam: os de direita e os de esquerda; os que prometem preservar e os que querem derrubar; os que dizem que estão ‘fazendo de tudo’ para resolver o problema e os que desconversam sempre … mas, a realidade é que o prédio está lá, abandonado, sendo corroído pelo tempo, se desmanchando.

O prédio é de propriedade de entidade vinculada diretamente ao Governo Federal e as empresas concessionárias do Porto de Itajaí não querem saber dessa responsabilidade. Os anos passam, as empresas passam, os governos passam, os políticos e os administradores passam, as promessas passam … e o prédio ciclicamente fica ilhado pelas águas barrentas do Rio Itajaí, pedindo socorro. A ideia de instalar o Museu do Porto no local já foi abandonada há muito tempo. Fazer o Mirante do Porto – com trapiche, café e concha acústica – virou ‘conversa fiada’. A verdade grita no silêncio cúmplice de muitos administradores públicos. Um silêncio que conspira contra o patrimônio e aguarda o tempo apresentar à comunidade itajaiense uma solução final: a derrocada estrutural do edifício histórico.

Todos os governos (federal, estadual e municipal) conspiram contra o pequeno prédio. Sim, o silêncio de todos revela uma conspiração tácita que há muito decretou a derrocada do prédio da Fiscalização do Porto. Resta esperar pela ‘solução final’. Esperar que o tempo faça o seu trabalho inexorável e definitivo. Depois, é só lamentar publicamente em notas oficiais lacunares e comemorar nos escritórios o desfecho há muito esperado e sempre desejado.

Que caia o prédio …. !

O fim de uma era

Estou participando de uma mostra coletiva nas galerias da Casa da Cultura Dide Brandão com uma fotografia intitulada ‘O fim de uma era’ protagonizada pelo cachorro ‘Negão’ frequentador assíduo do grupo de quinta-ferinos da Banca Eureka, que fica ali na rua Olímpio Miranda Júnior, próximo ao Colégio Salesiano de Itajaí. Na foto o ‘Negão’ aparece sozinho, em ambiente noturno, olhando para as revistas expostas no lado de fora da Banca Eureka. Um cachorro, sozinho, lendo revistas, é o emblema do final de uma era que tem na própria Banca Eureka sua testemunha final. Ela é a única banca de comércio de rua de Itajaí. Ninguém mais em Itajaí consegue manter seu comércio vendendo jornais e revistas, coisa muito comum há duas décadas.

O mundo digital devorou vorazmente o mundo impresso, deixando para trás uma era de muitos títulos e tiragens aos milhares. O Patrick Zaghini, proprietário da banca, tem saudades do tempo que vendia centenas de exemplares da Revista Veja e outra quantidade igual de clássicos do jornalismo nacional, como Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado. Sem falar na grande venda dos jornais locais, incluindo nosso polêmico Diarinho de todos os dias. Agora, tudo está posto nas plataformas digitais, com o custo da impressão e da logística para colocar o impresso na banca tornando esse serviço inviável economicamente.

Os jornais passaram do papel para o celular. Ponto final. A revolução foi rápida. Itajaí conta atualmente com população próxima de trezentas mil pessoas e tem apenas dois jornais impressos: Jornal dos Bairros (da Editora Bitencourt) e o Diarinho (Diário do Litoral). No setor de revista conta apenas com a Sopa de Siri (da Editora Beling e Castro Ltda). Revista que voltou ao formato impresso apenas em janeiro deste ano (2026) se recuperando vagarosamente da tempestade ocasionada no setor editorial pela a pandemia da Covid de 2019. Esses três títulos editoriais demonstram resiliência total, porque a tendência é deixar de imprimir e colocar tudo nas palmas das mãos dos leitores em formado digital.

Então, a minha fotografia incluída na mostra coletiva ‘Aqui, onde estamos’ tenta demonstrar justamente esta mudança extraordinária que vem ocorrendo em nossa sociedade. O fim de uma era. O fim da era do impresso e o emergir das plataformas digitais.

As artes em Itajaí vive um grande momento

Esta semana o setor cultural de Itajaí ganhou um presente especial. A Prefeitura abriu a Casa Burghardt depois de anos de obras de restauro e anunciou que ali vai funcionar o mais novo museu da cidade: o Museu das Artes de Itajaí. Primeiro devemos destacar a grandiosidade da Casa Burghardt, uma obra prima da nossa arquitetura. O trabalho de restauro teve resultado primoroso. Nada visto até hoje em Itajaí. Depois, destacar o cumprimento de compromisso de campanha do prefeito Robison Coelho em criar o Museu das Artes de Itajaí. Melhor ainda, que isso vai ser concretizado nesse espaço tão especial.

Vale destacar ainda que o futuro Museu das Artes vai fazer par com a Casa Konder, um novo espaço cultural, de iniciativa privada, que deverá ser entregue à comunidade cultural de Itajaí até o final do ano. Teremos em Itajaí um amplo espaço cultural, contando com um grande museu e espaço para diversas atividades, já que a Casa Konder vai contar com ateliê de artes, sebo e livraria, boulevard e cafés … estamos conversando, também, para abrigar por lá a Biblioteca do Escritor Itajaiense. Um acervo de 600 livros e originais, de todos os nossos grandes autores, como Silveira Júnior, Bento Nascimento, Arnaldo Brandão, Lausimar Laus …

O Município de Itajaí conseguiu avançar bem no setor artístico este ano. Deixou para trás a política de privilegiar hegemonicamente o setor da música e ampliou a política pública para comtemplar todas as manifestações indistintamente. Isso significa dizer que avançaram sobremaneira as artes visuais e a literatura. Nos governos passados parece que a arte em Itajaí era feita apenas de música. Agora, vemos novas iniciativas para garantir espaço para a literatura e as artes visuais. O que é muito bom para todos, inclusive para o próprio setor musical, porque vai ter de se articular para manter seus espaços.

O movimento cultural de Itajaí, contudo, deve manter a corda esticada, quando o assunto é reivindicação junto ao poder público. A pauta de reivindicações tem de ser ampla e irrestrita. Vamos dar alguns exemplos de coisas que ouvimos por aí:

1 – restauração da Casa Heusi para instalação do Conservatório de Música e sede da Fundação Cultural. Reserva de um ambiente para resguardar a memória da música em Itajaí. ‘cantinho da memória’.

2 – pressão política junto ao Governo do Estado para doação do atual Grupo Escolar Vixctor Meirelles para ampliar os espaços da Casa da Cultura Dide Brandão.

3 – restauro completo do prédio da Fiscalização do Porto e construção do ‘mirante do porto’.

4 – espaço no novo estádio do Clube Náutico Marcílio Dias para o Museu do Futebol

5 – instalação de ‘casa da cultura’ nos principais bairros da cidade

6 – ampliação da área expositiva do Museu Histórico de Itajaí.

7 – transformar a Festa do Peixe em Festa Nacional do Peixe

8 – monumento em homenagem ao pescador

9 – criação da setorial de história – definir a data de fundação da cidade.

10 – preservação total do Patrimônio Histórico Edificado, com aumento da lista dos prédios tombados.

11 – aquisição pela Prefeitura: Casa Almeida & Voigt e Comercial Bauer (rua Pedro Ferreira); casa César Ramos e Bauer (rua Samuel Heusi) ….

O resto é vida que segue.

Festa do Peixe

Neste sábado, 27 de junho de 2026, fui até o Centreventos participar da Festa do Peixe. Fiquei surpreso com a intensa participação popular. Mais de cinquenta mil pessoas prestigiaram a festa. Uma festa, diga-se de passagem, muito bem organizada. Envolveu quase quarenta instituições e um verdadeiro exército de voluntários. Não obstante as filas – para conseguir uma posta de peixe ou comprar um refrigerante – estava todo mundo muito a vontade. O dia ajudou, ensolarado e com um calorzinho ameno, extremamente agradável. Esse é lado intrigante da cultura de um povo. Porque a festa começou há muitos anos de forma espontânea ali no Mercado, numa ação entre amigos e frequentadores da Banca de Peixe. Ela ganhou a proporção atual justamente porque tocou no fundamento de nossa cultura. Nosso povo é peixeiro.

Até o Diarinho esteve presente com sua barraquinha servindo tainha frita. Samara Toth, Vânia Campos e Fran Marcon meteram a mão na massa, ops! … no peixe.

O sucesso estrondoso da Festa do Peixe – Festa do Pescado / Festa da Tainha / Festa do Peixe e do Pescador … – sinaliza algo importante para o Governo Municipal. Ela evidencia a força da cultura popular. A Prefeitura não precisa, obrigatoriamente, de pagar 600 mil reais contratando dupla sertaneja visando chamar público para uma festa. Aqui em Itajaí, tendo peixe frito, caldo de peixe, farinha … o resto é acessório.

A Festa do Peixe de 2026 mostrou aos nossos políticos qual é a força de nossa cultura.

Nega Tereza

Terezinha Peres nasce em Cruz Alta (RS). Reconhecida na cultura popular em Itajaí com o nome artístico de Nega Tereza. Membro de uma família de músicos circenses, autodidata, dominava diversos instrumentos do trompete à bateria. Trabalhou na Rádio Farroupilha ao lado de Elis Regina, sendo filho adotiva da Família Veríssimo. Atuou como musicista em diversas orquestras e bandas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina abrilhantando bailes carnavalescos, debutantes e até casamentos. Radica-se em Itajaí na década de 1970, passando muitos momentos de extrema dificuldade financeira, chegando a vender marmita para caminhoneiros do Porto e pirulitos na Praça Vidal Ramos. Fundadora e dirigente do Clube do Mickey, um misto de escola de samba e escola de música para jovens em situação de vulnerabilidade social. Logo, se transformou em um ícone para a comunidade negra da Região da Grande Itajaí, recebendo a homenagem ‘Tributo à nega Tereza’ do Conselho Municipal de Políticas Públicas (2019) e sendo tema principal da Escola de Samba Michel Curru no carnaval de 2013. Nega Tereza também foi protagonista do documentário ‘Nega Tereza’ dos diretores Maicon Renan e Pietra Garcia, disponibilizado amplamente na plataforma YouTube.(2021). Falece em Itajaí no dia 21 de junho de 2026.

Brincando com a história: inventando nosso passado

Quem acompanha na Internet os principais sites de notícias sobre a comunidade itajaiense recebe uma grande quantidade de informações diariamente de sorte a ter pouco tempo para fazer uma análise mais depurada de tudo que lhe é transmitido pela imprensa tradicional (jornais, revistas) e os outsiders digitais, incluindo os famosos influencers. Os conteúdos que circulam na Internet são produzidos na velocidade do som, para serem consumidos na velocidade da luz. Isso significa admitir que não temos tempo para pesquisar o que escrevemos e, não temos tempo de analisar e criticar o que lemos. Assim como a culinária, o setor de informação saiu da cozinha da vovó diretamente para o fast food. Servir ‘a la carte’ ficou mais complexo que servir-se ‘por quilo’ no estilo ‘americano’.

A história de Itajaí também está deixando a ‘cozinha da vovó’ para ser servida ‘a quilo’. Cada vez mais endereços na Internet produzem conteúdos rápidos envolvendo o passado de nossa comunidade sem que os dados sejam devidamente conferidos à luz da literatura consolidada, como as obras dos historiadores José Ferreira da Silva e Edison d’Ávila.  Nada de pesquisar porque o tempo é sempre escasso. Qualquer erro grosseiro ou informação truncada fica por conta da condição do espírito da modernidade, sintetizado na expressão ‘time is money’; agora, na pós-modernidade, na expressão ‘eu preciso de mais likes’.

Por conta dessa corrida para ganhar mais ‘curtidas’ os produtores de conteúdo pouco se importam se estão pisando na estrutura lógica da narrativa histórica, se estão reproduzindo conteúdos falsos ou distorcidos, porque não buscam esclarecer, dialogar ou ensinar, buscam o sucesso mediático. E esse sucesso é medido pela unidade-padrão ‘like’.

Dia desse vi um ‘comunicador ofsider’ fazendo um pequeno vídeo localizando o navio Revesbydyke próximo à encosta do Morro do Farol, quase defronte ao Iate Clube Cabeçudas. Quem ver seu vídeo vai ter a convicção de que o navio está naufragado no lado sul da enseada, quando na verdade ele está naufragado no lado norte desta enseada, mais próximo da foz do Rio Itajaí.

O mesmo ocorre com a maioria dos textos sobre nossa primeira igreja católica, a Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Eles reportam que a igreja começou a ser construída por volta de 1824 pelo escravo Simeão. Depois, inferem que esta primeira igreja é a mesma que temos ainda hoje na Praça Vidal Ramos. Ocorre que esta primeira capela, datada de 1824, era de pau-a-pique e desabou por completo no ano de 1851 com seus pertences sendo recolhidos à residência de Agostinho Alves Ramos. Somente em 1852 iniciam as obras da nova capela, com a primeira fase da construção sendo finalizada no ano de 1865, sem a torre do sino e as duas naves laterais, ampliação assinada pelo arquiteto Reinhold Roenick em 1899.

Apesar do prédio da Igreja da Imaculada Conceição não ter absolutamente nada da primeira igrejinha construída por Simeão em 1824 em pau-a-pique, a maioria dos textos utilizados nas comemorações da passagem de aniversário da emancipação do Município de Itajaí inferem ser ela uma construção de 1824. A instituição ‘igreja’ é de 1824, mas o prédio da igreja não!